Ranking WSOP POY é justo?? Negreanu e Hellmuth com visões diferentes

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As World Series of Poker estão quase a chegar ao fim, e um dos temas do momento é o ranking WSOP POY. Tema lançado por Mike Matusow, sobre a possibilidade de um jogador ser nomeado o Player of the Year (POY), mesmo que acabe por perder dinheiro.

Vários dos maiores nomes do poker mundial juntaram-se à conversa, como Phil Hellmuth, Shaun Deeb, Josh Arieh e Daniel Negreanu, entre muitos outros.

Como quase sempre acontece no mundo do poker, foi no antigo Twitter que a conversa começou:

Creio que o POY do próximo ano deveria ter novas regras! Se perdes dinheiro durante o ano a jogar os torneios das WSOP; não deves ser elegível para o POY! De uma ou outra forma eu nunca vou estar na corrida, mas outros sim e o ranking não deveria premiar o volume. Devia ser um prémio a recompensar os resultados ao longo das 6 semanas.

Um dos primeiros a comentar foi Josh Arieh, vencedor do POY em 2021 e que é o quarto classificado no actual ranking.

Quer dizer que se ganhar 3 braceletes, e depois gastar 3 balas no $250,000, passo a ser inelegível?

Um lugar acima de Arieh no ranking deste ano, está Shaun Deeb. Ele que ganhou o POY de 2025 e que começou este ano na liderança depois das WSOP Europe.

Porque é que não te preocupas com coisas que te afectam, em vez de escrever merda sobre mim. Se percebesses o básico sobre equidade e variância não terias resultados tão fracos nos últimos 20 anos. Por isso deixa a discussão e a batalha pelo ranking, para os jogadores mais inteligentes e mais bem sucedidos (quase toda a gente).

Uma das vozes a favor de Matusow foi Phil Hellmuth, que publicou a sua visão através de um pequeno vídeo.

O que é que estamos a fazer?

Algum pessoal que gastar $1 ou $2 milhões para tentar ganhar o Player of the Year das WSOP, vieram a público afirmar que o sistema é justo.

O sistema NÃO é justo. Se perdes dinheiro a jogar nas WSOP, não devias ganhar o POY. É uma emenda fácil.

No vídeo Hellmuth responde directamente a Deeb dizendo o seguinte:

Tu sabes que é uma desvantagem enorme para uma pessoa normal tentar ganhar o Player of the Year, uma vez que não podem jogar nos torneios de $50,000, $100,000 e $250,000. Nem os $25,000 onde o pessoal desperdiça dinheiro como se fosse água.

Admite a verdade.

Deeb respondeu a Hellmuth:

Portanto se não chegares aos prémios nos torneios de $25,000 ou superiores e arrasares nos torneios de $10,000 ou inferiores, és menos merecedor do POY. Diz o tipo que o ano passado só se interessava pelas braceletes e não ligava ao dinheiro ganho. É engraçado como todos os anos mudas os argumentos para poderes dizer mal de mim.

Aproveitando a resposta de Deeb, foi a vez de Daniel Negreanu juntar-se à conversa. Uma longa resposta, em que pondera algumas alterações, mas defendendo o sistema actual.

Vamos ver se consigo ajudar.

Duvido, mas vou tentar.

Todas as métricas em modalidades como o ténis, Nascar, golfe, ou qualquer outra competição individual disputada ao longo de uma época premeia o volume.

É um facto. Se o melhor jogador de ténis não jogar muitos torneios, não pode ser o 1º no ranking porque os pontos são atribuídos com base na acumulação de resultados — o mesmo acontece com a FedEx Cup no golfe.

Por isso, vamos estabelecer uma coisa em que todos podemos concordar:

Jogar mais eventos dá-te uma maior probabilidade de vencer. Concordam?

E também concordam que isso acontece em todas as outras classificações desportivas ao longo de uma época? É um facto.

Uma das alterações mais importantes feitas ao sistema do POY das WSOP foi estabelecer um limite máximo para o número de resultados premiados que contam para a classificação.

O volume continua a dar uma vantagem, mas esta alteração reduz essa vantagem. Na verdade, quem mais foi prejudicado por esta mudança foi o Shaun Deeb, porque ele está disposto a sacrificar o ROI para acumular pontos.

Outra opção que poderia ser implementada para reduzir a vantagem do volume seria atribuir um custo em pontos por cada entrada.

Por exemplo, cada inscrição, seja a primeira entrada ou uma reentrada custaria pontos.

Digamos que cada entrada custa 10 pontos.

Se fizeres 10 bullets sem conseguir qualquer cash, ficas com -100 pontos por essas tentativas.

Penso que o ténis utiliza um sistema semelhante.

Se fizeres all-in às cegas cinco vezes e perderes sempre, isso custar-te-ia 50 pontos.

É uma ideia, mas, na minha opinião, não é necessária.

O CAP já reduz bastante bem a enorme vantagem que o volume proporciona.

Um Jogador do Ano nunca terá prejuízo em buy-ins considerados para o ranking, mas, em alguns casos, poderá terminar o verão a perder dinheiro.

Exemplo:

Ganhar 3 braceletes em torneios de $1,500 de buy-in para um total de $575,000 em prémios é uma grande conquista. Concordamos, certo?

Essa conquista deixa de ter valor se esse jogador também tiver falhado duas vezes o torneio de $250,000 e uma vez o de $100,000?

Apesar de terminar o verão com um prejuízo de cerca de $25,000, esse jogador ainda estaria aproximadamente 100 buy-ins acima.

As WSOP são únicas porque conta com buy-ins que vão dos $300 aos $250,000.

O que é exatamente justo?

Como é que definimos justiça?

Seria "justo" que o jogador que vence o Gladiator de $300 e faz cinco cashes em apenas sete torneios disputados fosse o Jogador do Ano?

O POY não foi criado para o jogador recreativo que aparece durante um ou dois fins de semana.

Foi criado para os grinders mais dedicados, que disputam um grande volume de torneios e competem numa ampla variedade de buy-ins.

É estranho que um Jogador do Ano possa terminar o verão a perder dinheiro? Claro que sim.

Será algo muito raro, mas pode acontecer.

Um jogador que conquista quatro braceletes em torneios de buy-in mais baixo durante um verão não deveria ser impedido de ganhar o POY apenas porque falhou os torneios de buy-in mais elevado.

Isso seria muito mais absurdo e ilógico do que um jogador conquistar o POY apesar de terminar o verão com prejuízo.

O sistema do POY da WSOP foi melhorado este ano e, na minha opinião, temos a melhor e mais competitiva corrida pelo título que vimos em muitos anos.

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