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As Braceletes portuguesas – a caminho das WSOP 2021

27/09/2021
PavlovDoorman

É já na próxima quinta, 30 de Setembro, que começam as World Series of Poker de 2021, e aproveitamos estes dias prévios para recordar as braceletes portuguesas. Ao todo temos 6 braceletes, a última das quais foi conquistada este mês…

Esta bonita aventura que nos leva às 6 braceletes portuguesas, teve início em 2012 e logo com duas braceletes conquistadas no espaço de apenas 3 dias.

Foi em Cannes que o poker nacional entrou no galarim dos vencedores de eventos World Series, e logo com 2 motivos para festejar. No dia 29 de Setembro de 2012, Francisco “Yuran” Santos alcançou a glória num torneio de Pot Limit Omaha, o evento #6 das WSOPE 2012. Torneio PLO 6Max de €1.650 que juntou 206 participantes.

A vitória de Yuran, a primeira vitória portuguesa num evento World Series of Poker, surgiu no dia 3 do torneio, depois de Yuran derrotar Ana Marquez no heads-up, para um primeiro prémio de €83.275.

Em preflop, Ana Marquez acabou all-in com AK105 e Yuran com 4 cartas quase seguidas achou que valia a pena o risco. Tinha 10976.

Flop: 857
Estava feita a sequência para Yuran

Turn: 2
Ana ainda se podia safar com flush, mas desta vez não. Desta era para Portugal.

River: 4

Depois de vários anos à espera da 1ª bracelete nacional, eis que de repente tivemos duas no espaço de apenas 3 dias. Isto porque depois da vitória de Yuran, tivemos outro triunfo, este ainda mais inusitado, porque conquistado por um jogador que quase sempre se apresentou com bandeira dos Estados Unidos. Falamos de Jonathan Aguiar, jogador nascido no estado de Massachusetts, mas de ascendência portuguesa.

Aguiar decidiu participar com a bandeira portuguesa nestas WSOP Europe, como uma forma de homenagear o avô português, que tinha falecido pouco antes. E em boa hora o fez, pois ganhou o evento #5 e conseguiu a sua primeira bracelete, a 2ª bracelete portuguesa.

No evento #5 – €10.450 Mixed Max NLHE, Aguiar teve de superar um field de 96 participantes e só chegou à vitória depois de derrotar Brandon Cantu no heads-up. Um heads-up que se prolongou por 2 dias, isto porque depois de 6 horas decorridas de heads-up no Dia 4, a acção foi interrompida para ser reatada 2 dias depois. Um intervalo que se explica pelo facto de os jogadores disputarem o Dia 1B do Main Event, no dia a seguir ao Dia 4 do evento #5.

O 5º e último dia do torneio começou com Cantu na frente, mas Aguiar dominou por completo este último dia e chegou assim à bracelete e ao primeiro prémio de €258.047:

Aguiar abriu no botão com raise para 40.000 (blinds em 10.000/20.000). Cantu respondeu com reraise all-in de cerca de 600.000. E Aguiar deu instacall.

Aguiar: AK
Cantu: 22

Flop: 810A
Turn: 3
River: 7

Após duas braceletes em três dias, tivemos de esperar 6 anos para assistirmos a novo triunfo português e desta vez em Las Vegas, a sede original das World Series of Poker.

O novo campeão foi Diogo “phounder” Veira, que nas WSOP 2018 ganhou o evento #54, a primeira bracelete portuguesa conquistada em Las Vegas.

Depois de tantas e tantas tentativas dos nossos jogadores, com dezenas de jogadores a fazerem a peregrinação anual a Vegas, finalmente ouviu-se A Portuguesa nas salas do Rio All-Suite Las Vegas Hotel & Casino.

Neste evento #54 – $3,000 NLHE Big Blind Antes, foi preciso um dia extra para se ficar a conhecer o mais forte entre os 1.020 participantes. Dia extra que começou com 4 jogadores, liderança de Barry Hutter e 2º lugar de phounder.

E foram estes os jogadores que chegaram ao heads-up, duelo que como bem sabemos acabou com festa portuguesa no Rio. Uma festa pela bracelete que também resultou num primeiro prémio de $522,715 para phounder.

Jogava-se a mão #271 quando Veiga fazia limp no botão e Hutter encostava 3.66 milhões. O luso pediu contagem e encostou-se para trás na sua cadeiras, segundos depois anunciou o call.

Hutter virou A10 e Veiga precisava de alguma ajuda para o seu K10.

Existiam outras formas de alcançar a vitória mas o flop 2K7 trouxe um rei.

O rail foi ao delírio e puxou muito por tudo o que não fosse um ás. O turn foi um 8 e o river um 7.

Foto retirada do Facebook do jogador

Las Vegas voltou a ser palco de festa nacional em 2019, com a vitória de João “Naza114” Vieira. A 2ª bracelete portuguesas nas WSOP foi conquistada no evento #70: $5,000 NLHE 6Max, e chegou acompanhada de um primeiro prémio de $758,011.

Uma vitória esperada e desejada por muitos e que parecia estar destinada a acontecer neste torneio, pois Naza114 começou o Dia 3 com a maior stack, feito que voltou a repetir no início do quarto e último dia de torneio.

Um dia 4 que começou com 6 jogadores, onde além de Naza114 se destacavam as presenças de Joe Cada e Olivier Busquet. Outro dos finalistas era o norte-americano Barry Hutter, que em 2018 tinha perdido o heads-up contra Diogo Veiga.

Uma mesa final onde Naza114 eliminou 3 dos 5 adversários, incluindo o seu colega de equipa na Winamax, Pierre Calamusa (4º). A Calamusa seguiu-se Jamie O’Connor (3º), e no 2º lugar ficou Joe Cada. O heads-up entre Cada e Naza114 durou apenas 10 mãos, sendo que foi assim que se confirmou o triunfo do português:

João Vieira faz raise para 600.000 fichas e Joe Cada faz 3-bet para 1.950.000. João empurra a sua stack para o centro da mesa e Cada dá call.

João Vieira: AK
Joe Cada: AQ

Joe Cada está dominado pela mão do jogador madeirense que vê sair na board J9675 para vencer o torneio!

Foto retirada do Facebook do jogador

Tal como em 2012, em 2019 voltamos a ter duas braceletes, mas tivemos de esperar uns meses pela conquista da 2ª bracelete do ano. Isto porque a 2ª bracelete de 2019, a 5ª bracelete portuguesa, foi conseguida nas WSOP Europe, disputadas no King’s Casino de Rozvadov, República Checa.

O campeão foi desta vez Tomás Ribeiro, que ganhou o evento #11: €2.200 Pot-Limit Omaha, e além da bracelete recebeu um primeiro prémio de €128.314.

Tal como na 1ª bracelete, a de Yuran, a 5ª bracelete também foi ganha num torneio PLO, o poker das 4 cartas. Uma vitória que levou Tomás a dizer: “Estou na lua. Sinto-me super feliz! Momento mais feliz da minha vida…

No King’s Casino o último dia começou com 7 jogadores, e Tomás não estava nos lugares de topo, tendo somente a 5ª stack entre as 7 em jogo. Mas felizmente o dia terminou com nova festa portuguesa.

Tomás chegou a estar reduzido a apenas 15 blinds, quando ainda restavam 5 jogadores. Sorte que se revelava então madrasta, mas que rapidamente virou para boa, pois foi já com 3 jogadores em prova, que Tomás assumiu a dianteira do torneio. Já como líder Tomás eliminou Omar Marc Palatzky no 3º lugar, e chegou ao heads-up com larga vantagem para com Omar Eljach. Vantagem que terminou em vitória:

Preflop, as fichas uniram-se ao centro, com bastante vantagem em fichas de Tomás Ribeiro:

Tomás KQQ10 vs AKJ6 Omar

Board: 644 J 9!

Tomás Ribeiro

2019 terminava com o poker nacional a ter 5 braceletes, e com esperanças de ainda mais em 2020, mas como bem sabemos e ainda vivemos, em 2020 tudo parou. E num ano em que tudo parou, as World Series of Poker também pararam. Ainda se realizaram duas edições híbridas, uma nos Estados Unidos, outra a nível global, onde o acesso à mesa final foi feito online, e a mesa final foi jogada ao vivo. Na mesa final do resto do mundo, jogada no King’s Casino, ainda tivemos Manuel Ruivo no 3º lugar para um prémio de $728,177. O vencedor dessa mesa final foi o argentino Damian Salas, que depois derrotou o vencedor da mesa final norte-americana, Joseph Hebert, num heads-up disputado em Las Vegas nos primeiros dias de 2021.

Com a pandemia a prolongar-se as WSOP vão regressar este Outono, fora do seu período normal entre o final de Maio e Julho, mas antes disso jogou-se uma edição online das WSOP, onde Nuno “BrigaDatada” Capucho ganhou um dos torneios, a 6ª bracelete portuguesa.

No evento #23 das WSOP Online 2021 – $600 DeepStack Championship, torneio disputado nas mesas da GGPoker, BrigaDatada foi o mais forte entre um total de 2.820 entradas e recebeu um primeiro prémio de $190,273.62.

Sendo online, este torneio durou “apenas” 2 dias, e terminou com domínio absoluto de Capucho na mesa final, onde eliminou 7 dos 8 oponentes.

A última barreira entre Capucho e a bracelete era a britànica Karolina Norvasaite, que nem 20 minutos aguentou contra o jogador português. Heads-up que terminou da seguinte forma:

Karolina raise para 2.640.000 (blinds em 600.000/1.200.000), Capucho raise all-in e Karolina deu call all-in.

Nuno Capucho: KQ
Karolina Norvaisaite: 44

O português tinha duas overcards e precisava da ajuda da board, que chegou no turn:

Flop: 103A
Turn: K
River: 3

Nuno Brigadatada Capucho

É esta a história resumida das 6 braceletes portuguesas. Será que este ano, mesmo com todos os condicionalismos derivados do período que vivemos, teremos novos motivos para celebrar?

Braceletes Portuguesas nas WSOP

Nome Evento Torneio Field Prémio
Francisco Costa WSOP Europe 2012 Evento #6: €1.650 6Max PLO 206 €83.275
Jonathan Aguiar WSOP Europe 2012 Evento #5: €10.450 NLHE Mixed Max 96 $258.047
Diogo Veiga WSOP 2018 Evento #54: $3.000 Big Blind Antes NLHE 1.020 1.020 $522.715
João Vieira WSOP 2019 Evento #70: $5.000 NLHE – 6-Handed 815 $758.011
Tomás Ribeiro WSOP Europe 2019 Evento #11: €2.200 PLO 271 €128.314
Nuno Capucho WSOP Online 2021 Evento #23: $600 NLHE Deepstack Championship 2.820 $190,273
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