WSOP 2026: Portugueses comentam alterações


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A última segunda-feira viu a GGPoker anunciar o calendário das World Series of Poker 2026 e perante as interessantes alterações agora confirmadas, fomos ao encontro de Rúben Correia, João Vieira, Diogo Cardoso, Pedro Neves e Diogo Veiga que nos expuseram a sua opinião.
Calendário WSOP 2026
É o assunto do momento, e como é óbvio, o PokerPT.com não foge ao tema. Por isso, colocámos um par de questões sobre as mudanças no calendário das WSOP, a alguns dos nomes lusos mais habituais nos panos verdes de Las Vegas.
PokerPT.com
A redução de buy-in em alguns torneios de abertura, novo "November Nine" e live stream gratuito durante a série pré-Main Event, parece ser uma forma de atrair e fixar os amantes do jogo por mais tempo. Qual a tua opinião sobre as alterações?
Para além disso, o Player Of the Year contará a partir das WSOPE em Praga, acreditas que assim torna a corrida ao prémio mais democrática?
Rúben Correia
A primeira resposta chegou através do melhor português do Main Event 2025. Rúben Correia, afirmou que as algumas alterações foram do seu agrado, ao invés de outras.
Pontos positivos, no meu entender, mais torneios de PLO e live stream diário, dará ênfase a toda a série e não apenas ao Main Event. Aquele 550$ 1M Mystery Bounty também vai ser um torneio incrível e que me irá obrigar a fazer as malas mais cedo este ano.
Relativamente ao regresso da FT em Novembro, acredito que vá buscar aquela nostalgia e build up antigo, o que me agrada particularmente.
Já a corrida ao Player of the Year a partir das WSOPE, não altera em nada para mim pessoalmente. Não jogo os Mixed Games, nem High Rollers, logo estou fora dessa corrida. No entanto, creio que possa ser interessante para trazer alguns jogadores dos Estados Unidos a disputar as WSOPE.
João Vieira
A lutar, normalmente para o Player of The Year, a resposta do maior vencedor de braceletes WSOP português João Vieira recai principalmente na forma como a pontuação premiará, de forma desproporcional, as conquistas em fields gigantes.
A confirmar o regresso do ‘November Nine’, ou pelo que se fala, do ‘August Nine’, acho bastante positivo. Essa pausa cria algum interesse, drama e torna a Final Table muito mais memorável. Outro ponto positivo é o stream gratuito, só promove a modalidade, e isso é sempre de louvar.
Quanto ao POY, pelo que já vi, premeia de forma desproporcional os fields gigantes. Quem ganhar o Millionaire Maker de 10 mil pessoas vai fazer mais pontos que o vencedor de duas ou três braceletes, o que torna o POY uma lotaria ainda maior que o normal. Estes são torneios que eu raramente consigo sequer jogar, por conflito com buy-ins maiores, e faz com que o POY não seja um objetivo para mim este ano.
Diogo Cardoso
Outra das presenças habituais nos fields de Las Vegas e uma das vozes com maior experiência em vários ramos no poker nacional, a resposta de Diogo Cardoso detalha cada assunto de forma cirúrgica. Para o jogador de Aveiro a "WSOP percebeu finalmente o que o mercado estava a sinalizar há anos, e estas alterações são, no fundo, uma resposta tardia mas bem executada a essa pressão."
Reduzir buy-ins na abertura pode parecer uma cedência. Não é. É perceber que o jogador que entra mais cedo fica mais tempo — e isso vale muito mais do que a diferença de inscrição.
O live stream gratuito pré-Main Event é igualmente cirúrgico. O poker tem um problema de captação de novos públicos e conteúdo acessível é a resposta mais barata e mais eficaz que existe. Uma mão bem transmitida vale mais do que qualquer campanha de marketing. É o produto a vender-se a si próprio. A indústria demorou a perceber isto, mas quem trabalhou seriamente neste espaço sabia que era inevitável.Quem conhece a indústria sabe que o dinheiro raramente está só no prize pool, está no ecossistema à volta. Mais jogadores nas primeiras semanas significa cash games mais cheios, side events mais competitivos, mais noites de hotel, mais consumo.
O objectivo não é apenas encher um torneio. É segurar o jogador em Las Vegas o máximo de tempo possível. Isso tem um valor económico enorme que muita gente subestima.
O regresso ao formato "November Nine" é inteligente por razões diferentes. O poker precisa de narrativa. Precisa de heróis, de suspense, de histórias que as pessoas queiram acompanhar durante semanas. Os resultados sozinhos não constroem audiências. As histórias sim. E sem audiência, a indústria não cresce.
Quanto ao POY a arrancar nas WSOPE em Praga: é um sinal importante para a Europa e um reconhecimento de que o poker não vive só em Las Vegas e Bahamas. Para Portugal, é uma oportunidade concreta — temos jogadores com capacidade real de competir numa corrida mais distribuída geograficamente.
Mas sejamos realistas: a vantagem continua do lado de quem tem calendário e recursos para jogar uma época completa dos dois lados do Atlântico. A estrutura ficou mais inclusiva, não igualitária. Ainda assim, muda o perfil de quem pode ambicionar seriamente o prémio — e isso, a prazo, é bom para o jogo.
Pedro Neves
A resposta de Pedro Neves, outro vencedor de bracelete WSOP em 2024, prende-se na dúvida de quando e como será o Main Event. O madeirense diz-se "não ser muito adepto do November Nine como era antes."
(...) a nível de logística parece chato e não acho que seja uma boa maneira de fazer o torneio, é o mesmo que a final do mundial de futebol ser jogada 3 meses depois, não faz sentido para mim.
Streams gratuitos e tudo o que possa puxar o “mainstream” para o poker são bem-vindos, e uma ótima forma de cativar audiência.
Quanto ao POY, acredito que todos os eventos de bracelete ao vivo ou online deviam contar para o jogador do ano. Este prémio foi sempre destinado aos jogadores de mixed games, feito por eles e para eles, um meio muito difícil de entrar e até hostil com novos jogadores para o formato, a mim não me diz muito.
Por fim, chegou-nos a resposta do vencedor da primeira bracelete portuguesa em Las Vegas. Diogo Veiga considera favorável a mudança em relação ao "November Nine", ao invés das alterações do Player of the Year.
Eu sempre fui a favor do November Nine. Dá algum tempo para viver o sonho que é realizar mesa final do campeonato do mundo e ao mesmo tempo descansar e preparares-te em condições para a tão aguardada final table.
Além de que também consegues organizar a vinda de uma comitiva chegada que fará da experiência o mais memorável possível. Esse nosso dia ainda não chegou mas está certamente cada vez mais próximo.
Quanto ao POY, na minha óptica não faz grande sentido mexer. As WSOP sempre foram especiais por serem diferentes; tudo o que seja alargar para atrair jogadores, na minha opinião, estraga um pouco a mística à sua volta.
Pelo mesmo motivo, também sou totalmente contra a atribuição de braceletes em torneios online ou em eventos fora das WSOP originais. Ainda assim, percebo que, na perspectiva do negócio, a pulseira dourada atraia mais pessoas. Mas que estraga o encanto, estraga.
O PokerPT.com agradece a disponibilidade destes jogadores responderam às nossas questões.






