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Tomás Paiva reflecte sobre a mão do K8 off

19/12/2019
BlocoDaBarra

A mão que marca a prestação de Tomás Paiva na mesa final do Main Event PokerStars European Poker Tour Praga, onde acabou em quinto lugar, é certamente o bluff que o húngaro Norbert Szecsi  conseguiu fazer passar.

Vê ou revê a mão no vídeo abaixo e lê depois a reflexão que o jogador luso partilhou em exclusivo com o PokerPT.com.

 

Em relação ao pre flop, tinha acabado de passar para 3º com os dois jogadores com mais fichas à minha esquerda e contava que me pressionassem bastante por isso não tendo mão para call ou 4-bet contra uma 3-bet, achei que a melhor opção era voltar à estratégia de limp do dia anterior.

Flop

O normal seria apostar, mas no momento achei que a opção de checkar era superior no sentido de que protegia o meu range para situações futuras (mais valioso quando se sabe as mãos dos outros 30min depois) e porque achei que conseguiria decidir quase sempre bem turn e raisar for value se necessário mesmo nas piores cartas para mim, esperava overbluff da small blind mesmo em overbet, que iria colar, e do jogador da big blind “honestidade” quanto à força da mão a nível de size.

Turn

Acabou por vir um desses piores turns completando straight e flush, a big blind aposta um dos tais sizes que eu considerei sem perigo e que representariam sempre menos que straight e mesmo Ax8x, então senti que tinha que raisar for value e cobrar-lhe as vezes que tem par + draw ou simplesmente um draw forte e não folda, assim como “bloquear-lhe” ter a iniciativa na mão.

Sou surpreendido com um raise da small blind com um size até consideravelmente grande para a situação. Depois de digerir a surpresa, o meu pensamento foi que não fazia muito sentido ele raisar sequer a maioria das mãos que tinha ali por valor, que seria basicamente full houses e straight flush, e eu tinha um dos melhores bluff catchers possíveis tendo um trio que bloqueio os combos de full house e não tendo nenhuma copa (especialmente o 9 ou o 10) e achei que o mais provável era ele tar a artolar com um 97x Jx9 ou um Jx10 Jx7x(transformação de 8x não achei que tinha porque apostava logo ele) e decidi dar call muito inclinado para pagar o que fosse preciso river.

River

A e ele vai all in na mesma, continuo inclinado para o call mas sendo uma decisão tão importante quero rever a mão na minha cabeça e aí talvez devido à pressão do momento errei em dar mais consideração a 3 coisas que não deveriam ser muito importantes para a tomada da decisão mas que acabaram por ser.

  1. Ele demorou algum tempo a dar complete na small blind pré-flop, faria sentido com uma das poucas mãos possíveis de ele ter com value e não dar cold call ao meu raise turn (77) ou um Ax suited (não devia ter posto essa hipótese depois de quase a ter excluído antes)
  2. O nut flush já estaria à vontade para value betar em all in porque bloqueia full house de Ax8x e podia ter raisado para fazer um size mais desbomba/blocking mas que no A ia com tudo
  3. O adversário no dia anterior tinha vindo a perder a liderança destacada que tinha cm alguns spews pelo meio e estava claramente tiltado no final do dia. Fez me pensar que iria entrar com mais calma neste dia 2 da FT pelo menos no 1º nível do dia ou até começar a criar algum momentum.

Pensando a frio, o 1º factor não deve ter peso nenhum, pode ter vários tipos de mãos diferentes que considera raisar ali com uma stack superior, uma ou outra que pensa foldar ou estar simplesmente a querer parecer mais forte para o chip leader da altura não raisar e o tirar do pote.

2 –  O nut flush já devia ter sido excluído completamente ou posto como uma hipótese quase impossível previamente.

3 – Não é muito relevante, até porque um jogador assim agressivo e vindo de bons resultados anteriores é mais provável que continue cm um mindset parecido ao do dia anterior (embora + ponderado) do que passar para um semi smallball. Se ele toma a decisão que vai spewar turn com uma mão que terá sempre boas blockers e achando que eu tenho uma mão foldável (flush forte) provavelmente vai sempre levar o bluff até ao fim river, inclusive e se calhar até mais neste river A.

Para concluir na maioria dos rivers provavelmente acabava chip leader da altura ou perto disso (caso dele checkar) mas acabei por cometer o erro mais dispendioso da minha carreira e a nível de decisão devia ter feito tudo menos o que fiz, ou snapar como o instinto me dizia ou então pensar longamente, deixar o adversário suar e retomar com calma toda a linha de pensamento que me guiou até ali.

Mas é mesmo assim o poker e não tenho dúvidas que brevemente voltarei a ter mais decisões com o mesmo peso desta para enfrentar e estarei mais preparado.

Tomás Paiva

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