Stéphane Matheu revela como funciona a Team Pro Winamax nos bastidores

Há nomes que aparecem pouco nas mesas, mas que têm um impacto enorme nos bastidores do poker mundial. Stéphane Matheu é um deles.
Manager da Team Pro Winamax desde 2010, Matheu é uma peça central na estrutura de uma das equipas mais respeitadas do poker internacional. Entre contratos, recrutamento, logística, gestão emocional e acompanhamento nos torneios, o francês tornou-se muito mais do que um simples manager: é também mentor e coach mental de vários jogadores da equipa.
Em entrevista ao PokerPT, Stéphane abriu as portas ao funcionamento interno da Winamax Team Pro e explicou o que realmente procura quando chega o momento de recrutar novos talentos.
“O meu trabalho é tratar de tudo o resto”
Com mais de 15 anos no cargo, Matheu descreve uma função multifacetada.
“Faço a ligação entre os jogadores e o patrocinador. Trato de contratos, recrutamento, contabilidade, operações, calendário… há muito trabalho de bastidores.”
Além da componente administrativa, acompanha regularmente os jogadores no circuito internacional, viajando cerca de 20 semanas por ano. Mas é no coaching mental que encontra a maior paixão.
Antigo jogador profissional de ténis, Stéphane começou a estudar preparação mental depois de terminar a carreira desportiva, numa tentativa de perceber aquilo que, segundo o próprio, “não funcionou” enquanto atleta.
Hoje, aplica essa experiência ao poker.
“Vivo a competição através dos jogadores. Sinto a adrenalina, os altos e baixos. É a parte mais entusiasmante do meu trabalho.”
Recrutar muito para além dos resultados
Quando questionado sobre o processo de recrutamento da Winamax Team Pro, Matheu deixou claro que talento puro nunca é suficiente.
Apesar do foco evidente na performance — afinal, a equipa conta com alguns dos melhores jogadores do mundo — existem outros critérios fundamentais.
“Não se trata apenas de ser um grande jogador. É preciso comunicar bem, representar a marca da forma certa e encaixar na dinâmica da equipa.”
Segundo Stéphane, um dos grandes objetivos da Winamax ao longo dos anos foi precisamente criar um verdadeiro espírito de equipa num jogo tradicionalmente individualista.
“Trabalhámos muito para construir uma dinâmica onde os jogadores gostam de passar tempo juntos e colaborar entre si.”
Essa cultura coletiva ajuda também a explicar escolhas que, à primeira vista, podem parecer improváveis.
O caso Gus Hansen
Durante a conversa, surgiu inevitavelmente o nome de Gus Hansen — uma contratação que muitos fãs inicialmente consideraram inesperada para o perfil da equipa.
Matheu admite que não existem garantias em qualquer decisão de recrutamento.
“É como no poker. Avalias probabilidades e tomas a melhor decisão possível com a informação que tens.”
O francês explica que o processo envolve muita discussão interna, feedback dos próprios jogadores da equipa e uma análise profunda da personalidade de cada candidato.
“Perguntamos sempre: esta pessoa vai funcionar dentro do grupo?”
Nem todas as escolhas resultam, admite. Mas, olhando para trás, considera que o balanço tem sido extremamente positivo.
“Até agora, tivemos sorte. Tem sido uma grande viagem.”
Muito mais do que poker
A entrevista deixou clara uma ideia: estruturas como a Winamax Team Pro funcionam hoje cada vez mais próximas de equipas desportivas profissionais.
Existe gestão emocional, cultura de grupo, acompanhamento constante e uma preocupação crescente com o lado humano dos jogadores.
E no centro dessa operação está Stéphane Matheu — alguém cujo trabalho raramente aparece nos holofotes, mas que ajuda diariamente alguns dos maiores nomes do poker mundial a competirem ao mais alto nível.





