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Artigo de estratégia: Ajustar os tamanhos de aposta postflop

16/04/2011
Eduardo

O EducaPoker.pt pretende dar-vos a conhecer os artigos dos níveis mais avançados do seu currículo e semanalmente disponibilizará aqui no PokerPT.com um artigo de nível médio/alto.

Será uma forma de darmos a conhecer os excelentes conteúdos da escola e com o objectivo claro de partilhar os conhecimentos com a nossa comunidade. Depois de O valor da iniciativa, Coordenação da mesa e vulnerabilidade, Dinâmica Turn e River e Efeito Alavanca, hoje apresentamos o artigo Ajustes aos tamanhos de aposta postflop.

Ajustes aos tamanhos de aposta postflop

Quando jogamos postflop, é necessário, não só, decidir se apostamos ou fazemos raise, mas também qual o valor que vamos colocar na mesa. A capacidade para seleccionar correctamente o tamanho das apostas após sair o flop está directamente relacionada a dois factores chaves, sendo o primeiro, o nosso objectivo na mão e o segundo (habitualmente menos importante), equilibrar o nosso jogo.

Porque queremos apostar ?

Em primeiro lugar, antes de ajustar o tamanho da nossa aposta ou de decidir se queremos ou não apostar, devemos saber qual é a razão pela qual o estamos a fazer e o que queremos conseguir com a aposta. Voltem a ler o artigo “Razões para fazer uma aposta” se não tiverem este assunto claro.

Este artigo explica uma coisa que devem ter presente em todas, e cada uma das apostas que realizem na vossa carreira de jogador de Poker. Em resumo, existem 3 razões legítimas:

  • Apostar por valor (para que nos paguem mãos melhores)
  • Apostar como bluff (para que abandonem mãos melhores que a nossa, ou que abandonem mãos que, sendo piores que a nossa, nos teriam colocado fora do pote, em bluff, com êxito.
  • Apostar para proteger a nossa mão (apostar para que as mãos com equity do rival tenham que decidir entre pagar ou abandonar a sua equity do pote. Isto, obviamente, nunca pode suceder no river).

Teremos que saber, portanto, o que queremos conseguir com a nossa aposta antes de a fazer. Como explica o artigo, saber qual é razão para fazer uma aposta, não a converte automaticamente numa aposta correcta (ou seja, não pelo facto de estarmos a fazer um bluff, mas pelo facto de ele ser rentável) mas se não soubermos porque apostamos, é quase seguro que nunca será correcta.

Passemos agora a falar dos factores que nos ajudam a escolher o tamanho de aposta mais favorável.

Aumentar o efeito exponencial do valor das nossas apostas:

O tamanho das nossas stacks é outro factor chave na altura de seleccionar os tamanhos das nossas apostas, começando pelas apostas preflop (que devem ser avaliadas para criar situações fáceis postflop). Seleccionar bem os tamanhos de aposta permite-nos tornar as nossas apostas muito mais perigosas para as suas mãos médias, o que torna muito útil quando estas são uma parte considerável do range do adversário, e também nos permite calcular a forma de obter o máximo lucro se temos uma mão forte e o nosso rival pretende chegar a showdown. Este efeito é conhecido como “alavancagem”. Podes ler mais sobre isto no artigo: Efeito alavanca.

Em primeiro lugar, é importante ter em conta o efeito alavanca na hora de decidir os tamanhos de aposta. Este conceito está directamente relacionado com o controle do tamanho do pote. Se queremos realizar uma aposta ou série de apostas que ameacem colocar toda a nossa stack no pote, iremos conseguir que algumas mãos medíocres extra abandonem, e quando nos paguem, seja toda a sua stack. Por outro lado, se estamos em bluff e falha, apostar toda a nossa stack faz-nos perder o máximo, e se temos uma mão forte e o nosso rival abandona uma mão média que tem poucas (ou nenhumas) opções de melhora, teremos perdido um certo valor.

Contudo, é obvio que (praticamente) nunca poderemos saber com precisão, qual a mão exacta do nosso adversário. No entanto, devemos saber porque é que apostamos contra o seu range estimado. Não nos podemos esquecer que apostar à sorte é sempre uma má ideia.

Vejamos um exemplo:

Fazemos raise preflop com hkhq e um fish loose e passivo paga na Big Blind, vamos querer fazer uma aposta grande que nos permita colocar toda a nossa stack no pote quando ligarmos ao melhor par numa mesa seca, já que um fish pode pagar com muitas mãos piores e queremos nos aproveitar disto tanto quanto possível. Existem demasiadas mãos piores que a nossa (muitos pares de topo com pior kicker e pares médios) que nos irão pagar duas ou três apostas, e procurar que estas sejam do maior valor possível é fundamental, quando estamos a apostar por valor contra um fish. De facto, se os tamanhos de stack nos permitirem, tentaremos nestes casos escolher tamanhos suficientemente grandes para tentar ir all-in no turn.

No entanto, se o jogador que nos paga é um nit, faremos uma aposta pequena, mesmo quando ligarmos com o flop, à volta de meio pote. Existem razões: em primeiro lugar balanceia um pouco o nosso jogo. Mas o principal é que um jogador deste estilo (excluindo quando estamos a jogar SSS, não irá acabar All-in com muitas mãos piores que Top Pair e segundo kicker numa mesa como dqs7h3 ou dkd8s6 depois de um raise preflop. Se fazemos apostas muito grandes, o normal é que não nos pague. A nossa mão não é muito vulnerável (ou seja, as mãos que abandonam a uma aposta não são mãos que tiveram muita equity).

Habitualmente, estas situações são conhecidas como “Way ahead/Way behind”, ou seja, estamos muito à frente ou muito atrás, e as cartas futuras não irão mudar isto na maioria das vezes. É certo que, com stacks pequenas, o rival sabe que pode pagar toda a sua stack com mãos piores. Mas também é certo que uma aposta pequena, se temos 20BBs, ameaçará o rival a jogar pela nossa stack da mesma forma que apostando 2/3 do pote. A única coisa que muda é que façamos duas ou três apostas.

Vejamos outro exemplo:

Temos 50BBs e subimos postflop 4BBs, UTG com :as: :js:. O rival na BB, relativamente tight, paga. O flop é d4s7c7. O pote tem umas 8BBs e temos 46BBs atrás. A mesa é muito seca e o seu range, à priori, inclui algumas broadways médias (como dkcq, ou cacj) e muitos pocket pairs, além de alguns slowplays. Nós apostamos meio pote para proteger a nossa mão, já que existem bastantes broadways no seu range que têm equity. Além disso, esta aposta no flop permite-nos fazer um bluff muito poderoso no turn contra os seus pares médios, sobretudo quando o turn é uma overcard.

O turn é uma dq. O nosso rival faz novamente check. Sobram 42BBs num pote com cerca de 16BBs. O que fazemos agora ?

Como dissemos anteriormente, temos de ter claro qual é o nosso objectivo. Se apostamos, devemos ter claro qual a razão para tal decisão. Uma aposta por valor, aqui, não parece servir de muito já que não existem muitas mãos piores que a nossa que possam pagar uma segunda aposta. Apostar para proteger a mão tem relativamente pouco sentido já que a board, em que não há praticamente qualquer projecto e depois de nos terem pago no flop, o seu range estará bastante polarizado, com mãos com valor de showdown, até à possibilidade de ter duas overcards. Se for o caso, teremos o rival dominado e, em qualquer caso, a sua equity será baixa, pelo que, tirá-lo do pote, dar-nos-á um certo valor mas não será tão alto. Um bluff poderia fazer sentido se acreditamos que existem mãos melhores que a nossa que poderão abandonar. No seu range preflop existem muitos pares pequenos e médios, que fazem sentido após o seu call no flop. Se acreditamos que estas mãos podem abandonar à segunda aposta, um bluff será uma razão legítima para apostar.

Agora, temos de perceber se o bluff é ou não rentável. O que está claro é que as mãos que pretendemos colocar fora do pote são mãos médias de showdown. Se conhecermos o rival, as suas tendências são as que mais podem ajudar-nos na decisão. Se tem um WTS% e/ou Won when saw flop muito elevado, provavelmente seja melhor deixar passar o bluff e fazer check behind. Se tem um WTS% médio ou baixo, estaremos perante uma boa situação para procurar roubar o pote. Neste caso, como dizíamos, temos 42BBs num pote de 16BBs. Se apostarmos 8BBs ou algo similar, a nossa aposta será tão pequena que não ameaçaremos o nosso rival com a possibilidade de as stacks acabarem no pote. Excepto se fizermos uma grande aposta no river, situação em que será mais provável que nos pague. A alavancagem é menor. No entanto, uma aposta de 12BB cria um pote de 40BBs, deixando-nos 30BBs para trás, o que é um push muito mais cómodo no river. O nosso rival, ao enfrentar uma segunda aposta de 12BBs sabe que estaremos a ameaça-lo com uma aposta do restante no river. A nossa aposta irá ter uma % de êxito muito maior e isto pode converter um bluff não rentável num bluff muito rentável.

Neste exemplo, a situação era bastante clara porque o range do nosso rival estava bastante polarizado até mãos médias de showdown e isto simplifica as decisões. No entanto, o exemplo mostra muito bem que o tamanho de uma aposta ajuda muito a que esta seja rentável. Se não existisse a ameaça de uma ultima aposta no river, este bluff seria muito menos eficaz.

Controlar o tamanho do Pote:

Controlar o tamanho do pote é um aspecto essencial em No Limit Hold’em que devemos ter em muita atenção. Neste aspecto, não será só importante a decisão de apostar ou passar serão importantes, mas também o tamanho das apostas. Conseguir criar potes grandes com as mãos que beneficiam disto e manter pequenos os potes quando for necessário é fundamental.

Vejamos um exemplo:

Temos h4s4 no Dealer com 50BBs e abrimos 2,5BBs. A Big Blind, um 32/18 a jogar 6max paga. O flop é cqs6d4. O pote tem 5.5BBs, e o nosso rival passa.

O que fazemos e porquê ?

É claro que, se o nosso rival têm um set maior que o nosso, vamos acabar All-in e perderemos, e que não podemos nem devemos fazer absolutamente nada para o evitar. Portanto, podemos considerar a nossa mão como sendo o “nuts”. O nosso objectivo será “sacar” o maior valor possível da mão. Muitos jogadores, em situações como estas, centram-se em que lhes paguem, e fazem apostas pequenas para manter o seu rival na mão.

O seu objectivo é pouco correcto. O principal é planear quantas apostas, e de que tamanho, necessita a nossa mão para colocarmos a nossa stack toda no pote. Neste caso, uma série de apostas no valor do pote (5, 15 e 45) colocaria 65BBs no pote. Se apostamos o pote no flop, podemos fazer uma aposta um pouco mais pequena no turn e river e ter o problema resolvido. Se bem que seja possível que percamos algum valor de algumas mãos medíocres, que só nos paguem 1 ou 2 apostas e abandonem ao terceiro (em que ganharíamos menos, embora não tanto já que as apostas seriam maiores) e em algumas ocasiões o rival abandone uma mão com a que ligaria no turn (por exemplo, abandona com cks6 à segunda aposta e no river sairia um K ou 6 com as quais nos entregaria toda a sua stack) o que é certo é que deixaríamos de ganhar demasiadas vezes em que tem uma mão que queira levar a showdown. Devemos apostar por valor e além disso devemos apostar de forma a conseguir que o máximo de stack entre no pote. Se o rival decide fazer bluff, fazer uma aposta grande também é mais valioso já que o seu bluff terá de ser muito maior.

Neste exemplo, vemos como seleccionar o tamanho de apostas que nos permita controlar o tamanho do pote da forma mais adequada para nós (neste caso, tornando-o grande).

Vejamos outro exemplo onde seleccionar o tamanho de aposta correcto nos ajudará a mantê-lo pequeno:

Abrimos 2,5BBs com :ah: :th: na primeira posição da mesa de 6 jogadores com 100BBs de stack efectiva. A BB paga. É um regular passivo (um 20/8 com níveis de agressão baixos e com um Won When Saw Flop de 46%). O flop é cas8s4. Apostamos meio pote no flop. O nosso rival paga. Neste momento não nos interessa jogar um grande pote já que, quando o nosso adversário mostre uma mão em Showdown num pote grande, sempre irá mostrar pelo menos sahj ou hacq. O turn é um d2. O nosso rival passa e nós preferimos voltar a apostar porque o nosso rival pode ter projectos de cor e porque apostar nos permite controlar melhor o tamanho do pote impedindo que ele aposte no river e escolha um tamanho de aposta grande que nos incomode. Além disso, se tivermos a sorte de a ultima carta ser um dt, tendo apostado, permitirá voltar a apostar e fazê-lo num pote maior. Como o rival é passivo, não nos preocupa demasiado que nos faça raise no turn com mãos piores. Apostar no turn permite-nos manter o pote pequeno e chegar a showdown com um custo mínimo.

Se pararmos para pensar, os conselhos gerais que damos no site sobre os tamanhos de aposta que vêm do que pretendemos obter em cada tipo de board. Quando apostamos num flop (dah3c7 ou dkd4s4), é uma situação em que a mão do nosso rival tem pouca equity e vá abandonar muitas vezes. Fazer uma aposta pequena aqui é correcto na grande maioria das vezes já que faz com que os nossos bluffs (uma grande parte do nosso range numa mesa seca) sejam mais rentáveis e além disso facilita fazer uma segunda aposta sem investir demasiado no pote. No entanto, em mesas coordenadas, recomendávamos, em geral fazer apostas maiores. A razão põe detrás disto é que, quando apostamos numa mesa deste tipo, é frequente o nosso rival ter uma mão com bastante equity e, portanto, faz sentido queremos proteger a nossa mão. Na altura de proteger uma mão, uma aposta pequena não consegue grande coisa já que o nosso rival terá a PME que necessita para pagar com facilidade, e, por esta razão, a necessidade de aumentar os tamanhos de apostas.

Outro exemplo de situação em que podemos querer controlar o tamanho do pote seleccionando os tamanhos de apostas, dá-se quando temos uma mão média de Showdown. Voltando a apostar o turn e o river podemos escolher o tamanho de aposta de forma que não seja o rival que aposte. Nós podemos seleccionar uma aposta de meio pote ou inclusivamente menor, evitando que o pote se torne demasiado grande para a nossa mão. Isto é especialmente útil contra rivais que não são dados a fazer grandes bluffs. Isto, em geral, é conhecido como “blocking bet” que não é mais do que apostar para impedir que o rival o faça, apostando menos do que o rival teria feito. É muito útil contra fishes, especialmente os passivos, que não irão fazer raise a estas apostas, praticamente nunca mas que apostam o pote “à sorte” quando lhes cedemos a iniciativa.

Induzir acção de mãos fracas:

Por outro lado, outra ferramenta que colocam à nossa disposição os tamanhos de apostas é induzir acção. Induzir acção é complicado, mas é muito valioso na situação adequada. Induzir acção significa conseguir que o adversário interprete como débil o valor da nossa aposta e decida tentar um bluff que não teria tentado noutro caso. Em geral, isto significa fazer uma aposta muito pequena (1/3 do pote ou menos), embora nem sempre seja o caso, sobretudo contra regulares que nos conheçam. Para que possamos realizar esta manobra com êxito, devem cumprir-se alguns requisitos:

  • O rival tem que ser bastante agressivo para atacar perante uma mostra de fraqueza.
    Contra um jogador débil/passivo, a única coisa que conseguiremos é que nos pague menos dinheiro.
  • Temos de querer induzir a acção. Isto não é tão trivial como parece. As vezes, a mão do nosso rival está melhor fora do pote do que dentro. Quando fazemos uma aposta muito pequena procurando induzir acção, arriscaremos a que o rival nos pague correctamente com mãos que teria abandonado. Isto tem um custo já que desejamos cobrar a equity da sua mão por um preço baixo, em vez de tira-lo do pote ou faze-lo pagar muito mais do que a mesma equity. Em geral, queremos seleccionar mãos muito pouco vulneráveis ou rivais muito agressivos de forma a que seja muito pouco provável que nos paguem ou que em call não nos custe dinheiro se se produzir.
  • Asseguramos que o tamanho “raro” que seleccionaremos com esta finalidade encaixe melhor com uma mão débil que com uma aposta standard. De facto, é interessante evitar fazer isto contra regulares muitas vezes, já que poderão adaptar-se. Ainda assim, é tão pontual que pode usar-se contra muita gente sem que se dêem conta do que está a acontecer.Existem dois tipos de situações gerais onde isto pode valer a pena. A primeira é quando estamos marginalmente comprometidos com o pote. Temos uma mão que queremos levar a Showdown pois perante o rival que estamos, este vá fazer bluff uma percentagem suficiente de vezes, e é uma mão com uma equity polarizada (estamos no river). Quando isto acontece, ganharemos mais se o rival incluir mais bluffs no seu range, uma vez que iremos pagar na mesma, mas ganharemos mais quanto menor seja a proporção de apostas ou subidas por valor. Claro que, quanto mais equity têm os seus bluffs contra a nossa mão, pior é induzi-los, já que nos beneficiam cada vez menos (até ao ponto de nos custar dinheiro). Isto sucede quando deixamos ver mais cartas excepto se tivessem abandonado mas que têm equity para pagar.

Imaginemos que abrimos 2,5BBs com sks4 na SB e a BB paga (que é um jogador muito agressivo). Temos 100BBs de stack efectiva. O flop é dadks3. Apostamos meio pote e o rival paga. O turn é o h8. Neste caso, o rival é muito agressivo, mas apenas tem Ases no range preflop, e as suas mãos mais prováveis são projectos de cor ou gutshot com mãos tipo hjst, hqsj ou hqst, além de completos bluffs. Se voltarmos a fazer uma aposta média (neutra) no turn, é possível que consigamos fazer o rival apostar em bluff ou semi-bluff, pois fazer check seria suspeito já que (deveríamos) mandar segundo barril em quase todas as boards.

A segunda situação em que podemos procurar induzir acção dá-se quando temos a board completamente “tomada”, ou seja, é quase impossível que o rival tenha ligado porque nós temos todas cartas que ligam à mesma.

Temos saha, um jogador faz raise, fazemos re-raise e ele paga. Irá ter poucas mãos fortes num flop dacas2. A nossa mão, desde logo não é nada vulnerável e seria interessante colocar qualquer quantidade de fichas no pote. No entanto, é pouco provável (salvo algum c2h2 perdido por aí) que o rival tenha alguma coisa que possa pagar uma só aposta. Se for agressivo, induzir acção com uma “ridibet” é provavelmente a melhor linha. É melhor do que fazer check porque se o rival tiver mãos como s7d7 ou similares irão apenas pagar (mãos feitas medíocres que fariam check behind) e ganhamos 3 ou 4 BBs, além do incremento na percentagem de bluffs que, obviamente queremos aumentar o mais possível.

O único problema que teríamos aqui, seria contra um regular que nos pague muitos 3bets em que geralmente apostaremos mais num flop dacas2. Se for o caso (desde logo nunca deveremos apostar demasiado num flop como este contra um regular) devemos ajustar a nossa aposta de continuação ao tamanho habitual.

A capacidade de brincar com os tamanhos de aposta no flop é, desta forma, limitada. Terás de saber como joga o teu adversário e o seu grau de agressividade sem que ele saiba o que estás a fazer com as tua mãos fortes. Desde logo, os tamanhos de aposta no flop é algo em que a maioria dos regulares se fixa. Estamos relativamente limitados neste aspecto. No entanto, à medida que a mão se desenrola chegamos ao turn e river, a maioria dos regulares têm maior dificuldade de conhecer as tendências dos adversários, pelo menos, até termos uma grande quantidade de confrontos com ele. Com isto, queremos dizer que, contra um regular, este tipo de manobras no flop acabam por ter menos êxito do que gostaríamos mas não é assim no turn ou river.

Devemos ter em conta que, quando um rival se depara com uma aposta ridícula no river, este ache que se trata frequentemente de uma blocking bet que não quer que o pote cresça, e se for agressivo poderá ataca-la. De facto, esta é uma manobra que podemos usar contra fishes ou jogadores passivos, em geral para controlar o tamanho do pote, pois estes costumam apostar “à sorte” e nos colocar numa situação muito difícil quando possuímos uma mão medíocre de showdown mas que apenas pagam a nossa aposta no river, independentemente do tamanho da nossa aposta, com a imensa maioria das suas mãos feitas. Tudo isto, a juntar à baixa frequência em que acontecem estas situações (mão com a qual nos beneficia induzir acção no river) torna muito difícil para os nossos adversários adaptarem-se correctamente.

Contra fishes claros, não é necessário ser cuidadoso em esconder a nossa mão, como já dissemos no artigo “jogo contra rivais fracos (fishes)”. Contra eles, podemos escolher os tamanhos que mais nos beneficiam em cada situação, sem contemplações com o facto de estarmos a ser óbvios com os nossos movimentos.

Sem Comentários

gantovic há 11 anos

Excelentes artigos, continuem o grande trabalho.



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