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Quando Chris Ferguson quase foi a cara da PokerStars

Escolher a opção Wikipedia após pesquisa por Steve Badger no Google resulta em três opções das quais facilmente se descobre qual pertence ao homem ligado ao poker. Entre nadador canadiano de escolha e australiano de nascimento e um produtor de documentários, o “antigo jogador profissional de poker” transporta-nos para pouco detalhe para além das cinco conquistas em torneios de Omaha em 1999, com destaque óbvio para o $2.500 Omaha Championship das World Series Of Poker.

Das mesa de poker para os guias de estratégia, passando por colunas na CardPlayer, Badger foi encontrado por Isai Scheinberg, fundador do que ainda hoje é o maior operador de poker online do mundo, e inserido num projecto ainda sem nome, em 2001.

Em 2014, com a venda à Amaya Gaming, hoje em dia The Stars Group, Steve Badger saiu da PokerStars, após mais de uma dezena de anos de experiência em transformar um projecto em pre-alfa no líder do mercado.

De volta à escrita, com a sua perspectiva a ser única sobre o mundo do poker, Steve Badger arranca este ano com uma história curiosa entre a PokerStars e Chris Ferguson, WSOP POY 2017 para citar apenas a mais recente razão de fama no poker de Jesus.

Abrindo sempre com uma citação:

Há pessoas que vêem as coisas como elas são e que perguntam a si mesmas: ”Porquê?” e há pessoas que sonham as coisas como elas jamais foram e que perguntam a si mesmas: ”Por que não?”.
— George Bernard Shaw

Quando John F. Kennedy foi assassinado, a primeira bala atravessou-lhe pelo pescoço causando o seu corpo para esticar para trás. Se em vez de ficar mais erecto, o seu impulso físico fosse avançar com a cabeça para a frente e chão do carro, a bala fatal não lhe haveria acertado… e Vietname, Direitos Civis e talvez até a Beatlemania fossem provavelmente muito diferentes.

Esta é uma história de um daqueles momentos na vida em que uma única escolha diferente poderia ter mudado drasticamente o mundo (do poker) para sempre.

Quando abri o meu primeiro site de poker em 2000, perguntei a Chris Ferguson, à data campeão do WSOP Main Event, para tirar uma fotografia para a página principal do site, que está acima. Conhecia o Chris há seis anos na altura. (Tínhamos feito três final tables em 1994, incluindo uma em que eu fiquei em primeiro e ele em segundo, quando senti de longe a maior adrenalina em heads-up.) Não eramos amigos chegados fora dos casinos, mas ele era uma das pessoas mais simpáticas que conheci enquanto jogador – o que faz as suas acções pós-2015 ainda mais incompreensíveis e tristes para mim. Não falo com o Chris há mais de dez anos, mas todo o falatório sobre ele nos últimos meses fez-me pensar no que podia ter sido.

Em Janeiro de 2001 fui abordado num torneio no Commerce Casino por Daniel Negreanu. Ele perguntou-me se um canadiano que conhecia me podia contactar com uma proposta de negócio. O conhecido era Isai Scheinberg e o negócio tornou-se a PokerStars. Graças à rejeição do Daniel a Isai, tive a oportunidade de ajudar a criar o que acabou por se tornar a maior sala de poker do mundo. Obrigado, Daniel! (Como a maioria dos que lêem isto sabem, o Daniel acabou por se juntar à empresa vários anos depois e é agora a cara “principal” da empresa.)

Nos inícios de 2002, eu trabalhava há pouco mais de um ano na PokerStars. Tínhamos aberto há algumas semanas as contas de dinheiro real. Tal significava que procurávamos contractar peritos/profissionais e personalizar o site de alguma forma. Uma ideia foi de criar concelho de jogadores (player advisory board). O ambiente de 2002 era completamente diferente do de hoje em dia. Ninguém na rua conseguia nomear um jogador de poker, excepto possivelmente de Amarillo Slim (por causa das presenças no Tonight Show) ou Johnny Chan (por causa do Rounders). Doyle Brunson, Phil Hellmuth, David Sklansky… ninguém fora do mundo do poker tinha ouvido falar deles.

O concelho de jogadores nunca foi a lado nenhum, mas uma coisa saiu disto, que foi: Isai pediu-me para contactar Chris Ferguson para desenvolver um acordo para ele se tornar a cara da empresa. Ele já não era o campeão do mundo na altura, mas todos gostavam dele e tinha um Ph.D em ciência de computadores. No papel, fazia sentido.

Falei com o Chris. Chris fala com Isai. Isai fala comigo. Isai e Chris falam mais algumas vezes. De início achava Chris uma boa adição, mas depois das nossas conversas e de falar com Isai, ficou claro para mim que Chris e eu tínhamos ideias muito diferentes de como gerir uma sala online. A explicação curta da diferença é: Eu achava que uma gestão personalizada e intensiva era a melhor (e penso que Isai pensava assim ainda mais), enquanto Chris ofereceu uma forma mais descontraída, filosofia “hands off”. (Penso que a diferença hands-off versus hands-on na abordagem está na raiz das diferentes escolhas de negócio entre a PokerStars e a Full Tilt, anos mais tarde)

Poucos dias depois, estava claro que não chegaríamos a um acordo por causa das diferentes filosofias e ideias para estrutura de compensação. Chris Ferguson não se tornou a cara da PokerStars – mas não estivemos assim tão longe. Alguma flexibilidade e uso diferente de palavras para expressar ideias e o acordo podia ter sido encontrado… e a Full Til Poker nunca seria fundada, sem depósitos fantasmas, sem pirâmides de Ponzi e sem destruição da reputação de alguém que foi em tempos adorado universalmente.

Em vez disso, Chris foi-se destas negociações e decidiu começar o seu próprio site de poker…

De pequenas coisas, grandes coisas virão um dia.

Coincidentemente, as negociações Ferguson/PokerStars ocorreram perto da mesma altura (Fevereiro de 2002) que as negociações para Phil Ivey se tornar jogador patrocinado pela Paradise Poker.

Artigo e fotografia SteveBadger.com

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4 Janeiro, 2018 Luís Sousa Sem Comentários