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CEO Portomaso Casino arrisca prisão perpétua por assassinato de jornalista

10/12/2019
Luís Sousa

O empresário que na semana passada assinalou o 38º aniversário está detido e acusado de ser o cérebro e financiador atrás do assassinato da jornalista Daphne Caruana Galizia, em Malta, ocorrido em Outubro de 2017. Yorgen Fenech declarou-se inocente das acusações, sem requerer fiança e assim aguardando os desenvolvimentos judiciais atrás de barras. Antes da sua detenção, Fenech servia como CEO do Tumas Group, que é dono das propriedades Portomaso Casino, Hilton Hotels em Saint Julians (Malta), Evian-les-Bains (França) e o Portomaso Tower business center.

No início do mês de Dezembro, Fenech foi ao tribunal para alegar inocência da acusação de cumplicidade no assassinato da jornalista Caruana Galizia, por explosão do seu carro em Outubro de 2017, após ter sido detido a 20 de Novembro. De acordo com com o testemunho do inspector da polícia Keith Arnaud, a detenção ocorreu após a monitorização dos movimentos do suspeito notar actividade no seu barco no sentido do mar alto.

Shembri e Theuma – foto: matlatoday

Os advogados de defesa apenas questionaram Arnaud se Keith Schembri havia sido mencionado na investigação, com este a confirmar o nome do  Chief-of-Staff do Primeiro Ministro e assim a envolver Joseph Muscat, Primeiro Ministro demissionário de Malta, no caso. A defesa tentou também negar o testemunho a Arnaud apontando amizade deste com Schembri.

As ligações entre Muscat e Fenech poderão ficar expostas na conclusão deste julgamento, com o segundo a apontar que tem registos e contratos a implicar Schembri na investigação ao assassinato da jornalista, apontando para o perdão presidencial a Melvin Theuma. Theuma é uma das figuras centrais do caso, providenciando informação aos investigadores, em troca de imunidade e protecção, em que nomeia Fenech como “financiador e responsável” do plano para o assassinato.

Segundo o maltatoday, a fotografia ao lado foi tirada numa reunião organizada por Yorgen Fenech, com o homem do estado Schembri e Melvin Theuma. Theuma é um taxista e agiota que geria uma lucrativa lotaria ilegal, tinha uma percentagem de todos os taxis entre o Hilton e o Portomaso e foi o responsável por contratar os três homens para o plano.

Panama Papers e poder em Malta

Há cerca de uma década que as pressões sobre a jornalista se têm desenvolvido e crescido. Em 2006 mataram o seu cão à facada e a sua casa foi posta a arder, com as portas de saída barradas com pilhas de pneus. Pouco após a sua morte, o seu blog escreveu:

“Há bandidos em todo o lado. A situação é desesperante.”

Antes, no mesmo local na internet, a jornalista começou a apertar com os homens mais poderosos da ilha e suas empresas:

“Um jornalista do Newsbook perguntou ao Primeiro Ministro (Joseph Muscat) esta manhã sobre a 17 Black – empresa usada pelos vigaristas para mover dinheiro para dentro e fora do Dubai.

(…) Após declarar sem convicção que não conhecia, os olhos [de Muscat] voltaram-se logo para a direita, de forma estranha e embaraçosa.” Caruana Galizia a 27 de Fevereiro de 2017

Em Maio, a empresa foi investigada pelo Finacial Intelligence Analysis por alegadamente facilitar o envio de dinheiro entre as empresas no Panamá controladas por Keith Schembri e Konrad Mizzi, ex-Ministro da Energia e Conservação da Água de Malta.

Cinco meses depois, uma bomba no carro de Caruana Galizia terminou com a sua vida à porta da sua casa em Bidnija, Malta. Pouco depois, três homens foram detidos, os irmãos Alfred e George Degiorgio e Vincent Muscat, alegadamente contratados por Theuma em nome de Fenech.

Em Novembro, Yorgen Fenech foi identificado como único proprietário da 17 Black, no final do mês foi detido e dias depois o Primeiro Ministro anunciou a sua resignação para meados de Janeiro de 2020.

Futuro do ex-CEO Portomaso Casino

O antigo líder do Portomaso Casino vai permanecer detido durante o julgamento em que poderá terminar com prisão perpétua, pois o cúmplice de um assassino carrega a mesma punição que este, esclareceu o advogado da família Jason Azzopardi. A acusação contempla: promover, organizar ou financiar um grupo com intenção de executar ofensa criminal, activamente participando nesta organização criminal ao dar informação, proporcionar material ou recrutar novos membros enquanto a par do propósito desta organização, cumplicidade do homicídio doloso de Daphne Caruana Galizia, conspiração de cometer crime em malta punível por prisão e cumplicidade em causar a explosão que matou Caruana Galizia.

Foi pedida a congelação dos activos de antigo CEO Portomaso Casino, bem como que este pague todos os custos com especialistas e peritos apontados neste caso. A defesa, por outro lado, argumenta no pedido de clarificação do congelamento que os activos do arguido pré-datam o assassinato e que estes pertencem à família.

Fechamos com as palavras do grupo que é detentor do casino em Malta, agora já sem Fenech aos comandos:

“O Tumas Group desassocia-se de quaisquer acções que seja contrárias à lei por um ou todos os indivíduos que alegada ou provadamente estejam envolvidos em acções ilegais em ligação aos eventos recentes. O grupo, a sua administração e seus funcionários estão chocados e profundamente tristes com as alegações contra Mr. Fenech.” declaração Tumas Group a 25 de Novembro

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