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Directores de Torneio analisam alterações às regras da TDA: Cristiano Araújo

Na reunião da Tournament Directors Association, Summit Las Vegas 2013, saíram novas regras de torneios que causaram polémica e outras que já eram utilizadas mas ainda não estavam escritas. É tempo dos Directores de Torneio nacionais analisarem estas regras e explicarem o seu ponto de vista.

Nesta segunda parte, tem a palavra o Director de Torneios Cristiano Araújo, que já marcou presença na equipa de DT’s de vários eventos internacionais e faz parte da dupla de Director de Torneios do mais antigo circuito de torneios nacionais, o PokerStars Solverde Poker Season. Cristiano é ainda um dos Directores mais experientes fruto também do facto de ser um dos primeiros directores a nível nacional.

No final do mês passado foram apresentadas alterações às regras dos torneios de poker ao vivo e que permitiu unificar algumas das regras entre organizadores diferentes. No total, temos 8 alterações mais significativas, sendo que algumas são apenas clarificações no texto da regra e que levavam a diferentes interpretações.

Vou começar pelas que considero mais simples.

Regra 7 – todos os jogadores de Late Registration, Re-entry ou lista de espera recebem a stack completa.

Já testamos vários modelos no início do torneio sobre como tratar quem chega atrasado, quem se inscreve tarde e quem faz re-entry. Se fazia bastante sentido retirar fichas aos mais atrasados, quem entrava por lista de espera ou por re-entry estava claramente descontente por não começar com a stack completa e era uma situação a alterar. Desde o início do ano que trocamos este procedimento e agora vemos validado pelas novas regras do TDA como sendo a solução mais consensual.

Regra 30 – Castigos para quem abandonar a mesa com acção pendente

Esta situação já a estávamos usar nos nossos torneios, apesar de ainda não estar no TDA. Um jogador abandonar a mesa porque está no botão, tem 72o e quer sair da mesa, está a dar informação muito importante aos jogadores que falam antes dele. Não é bom para o jogo. A partir de agora, castigos de duas mãos de penalização para quem falar fora de vez e para quem se ausentar com uma mão viva.

Regra 24 – Cartas sempre à vista.

Os jogadores passam a não poder ter as mãos em cima das cartas para as tapar a 100%. Vários erros a que fui chamado prendiam-se com este facto. Um jogador não se apercebia que o outro estava envolvido na mão porque não via cartas no seu lugar. Gosto bastante desta imposição aos jogadores.

Agora as mais complicadas e que vão originar mais reacções dos jogadores nas mesas.

Regras 13B, 14, 16 e 18 – Showdown

Nas situações de showdown, temos alterações significativas. Antes de mais, perceber que as alterações foram feitas com o propósito do melhor interesse do jogo. Não gostava de ter que entregar potes à pior mão porque o jogador com a melhor mão tinha cometido um pequeno erro, isto já depois de toda a acção estar terminada. Agora, há uma instrução clara para todos os DT. A melhor mão deve ganhar as fichas envolvidas no pote.

O que mudou? Uma mão só está morta em showdown quando o dealer a recolhe para o muck. Se a mão estiver 100% identificável, o jogador tem o direito de ler melhor a board e decidir mostras as cartas. Se um jogador apenas mostrar uma carta, a mão continua viva se as cartas não forem recolhidas pelo dealer. No entanto, uma mão claramente vencedora que não tenha as duas cartas expostas e onde não haja 100% da identificação da mesma, o jogador é o responsável.

Aqui foi feito uma clarificação das regras em pontos que não existiam no regulamento anterior. No meu entender, claramente para melhor. tudo o que seja a melhor mão ganhar em showdown é muito melhor do que beneficiar jogadores experientes em detrimento dos mais inexperientes, que era onde aconteciam mais vezes esta situação.

O que mudou radicalmente foi quem tem direito a ver a mão que em showdown o jogador optou pelo muck. Apenas quem tem cartas na mão pode pedir para que o adversário mostre o seu jogo e as cartas estarão sempre vivas neste caso. A regra anterior, criada com o intuito de evitar collusion, era sempre utilizada pelos jogadores fora da mão para recolher informação de como o seu adversário tinha jogado. 95% das vezes que fui chamado à mesa era com essa intenção. E nem pode acontecer o caso do jogador agressor fazer Muck às suas cartas e pedir para ver as do adversário. Acelera o jogo, evita confrontos entre os jogadores e situações menos éticas.

Regra 29 – At your Seat – Primeira carta

Deixei para o fim esta regra de forma propositada. Além de todo o celeuma criado a semana passada por Daniel Negreanu, será a regra que mais jogadores vão colocar em causa.

O que se passava até agora?  

1 – Após os intervalos, há sempre vários jogadores que se deixam atrasar e muitos deles optavam por um sprint vigoroso quando o dealer da sua mesa ainda estava a dar as cartas.

2 – Os jogadores levantam-se para andar a ver as fichas de amigos, “cavalos” e familiares entre as jogadas, ficando por vezes atrás dos restantes jogadores da sua mesa. Apesar de ser obrigação do jogador proteger a sua mão, nenhum deles está à espera que haja um adversário da mesa que esteja atrás dele aquando da distribuição das cartas e que tenha acesso a mais informação do que os restantes.

Pessoalmente, encontro muito mais vantagens do que desvantagens com esta alteração.

Primeiro, protege a integridade do jogo. Permitir que um jogador esteja ou passe atrás de outro e que veja um A9, por exemplo, e que possa dar um call tranquilo de AT é totalmente contra o espírito que queremos num torneio de poker.

Segundo, protege a integridade do dealer. Por um lado, é uma regra muito mais objectiva. Por outro, quantos de vós já assistiram a dealers que começam a distribuir as cartas de forma muito lenta porque o jogador que está em pé ou a regressar do intervalo é alguém de quem gostam, por simpatia ou porque costumam dar boas gorjetas? Ou, no caso inverso, dealers que aceleram para prejudicar de forma intencional alguém de quem não gostam?

Estamos a falar de muitos seres humanos com diferentes personalidades. Tudo o que seja o mais objectivo é melhor para eles e, por consequência, melhor para o jogo.

Terceiro, permite acelerar o jogo na bubble e mais espaço na área de jogo

Numa altura tão importante como a bubble, é fundamental perder-se o mínimo de tempo. Ter os jogadores sempre em pé, a tentarem ver as stacks das outras mesas ou simplesmente a falar com o rail, atrasa o jogo e pode provocar penalizações, que nunca queremos dar. Com esta regra, mais jogadores optam por ficarem sentados nos seus lugares, à espera da próxima mão.

Isto permite que menos gente ande em pé na zona exclusiva do torneio, o que é óptimo. Nessa zona, temos o staff, empregadas de mesa, media. Ter metade dos jogadores de um lado para o outro aumenta a confusão e o risco de haver problemas.

Desvantagens: Para os jogadores profissionais, obriga a um menor contacto com os fãs. É um facto, corta um pouco o lado social do poker, o contacto com os outros jogadores e com os fãs, mas sejamos honestos. A maior parte das conversas podem ser realizadas na mesma durantre os intervalos, quer com os fãs, quer com os amigos, “cavalos” ou restantes jogadores.

No geral, estou muito satisfeito que o TDA tenha oficializado estas alterações, até porque a maioria já a estávamos a usar, porque tínhamos claramente a noção que eram no melhor interesse do jogo. E essa será sempre a minha principal preocupação enquanto Director de Torneios.

1º Artigo – Renato Morais

Cristiano Araújo é Director da Solverde Season e podes acompanhar as novidades deste circuito, através do espaço de notícias dedicado ao mais antigo circuito de poker nacional.

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12/09/2013 Eduardo Sem Comentários