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Directores de Torneio analisam alterações às regras da TDA: Renato Morais

A Tournament Directors Association é uma associação oficial de Directores de Torneios de Poker de renome e staff associado aos torneios que têm o compromisso de discutir o jogo, estabelecer regras e directrizes em prol do avanço/progresso do Poker. Na reunião da TDA, Summit Las Vegas 2013, saíram novas regras de torneios que causaram polémica e outras que já eram utilizadas mas ainda não estavam escritas.

O PokerPT.com falou com os Directores de Poker Nacionais para saber a sua opinião sobre estas alterações, quais as medidas que poderão eventualmente adoptar ou já têm em uso. Na primeira de três partes, Renato Morais, Director de Torneios do Casino Estoril Sol, responsável pela dinamização e inovação deste circuito, tem a palavra.

Em relação às alterações do TDA, gostava que ficasse bem claro que qualquer situação que eu defenda ou discorde nesta análise não me vincula a utilizá-la nos nossos torneios ou nos nossos jogos de cash; uma coisa é o que eu defendo ser o melhor para o jogo, outra coisa é o timing certo para as implementar de acordo com o tipo de circuito e nível de esclarecimento do field. Por vezes, é melhor deixar uma regra começar a ser falada por todos, de modo a ser assimilada, do que começar a aplicá-la de imediato. Certos procedimentos são mais comerciais, unânimes e fáceis de entender, logo, mais fáceis de aplicar em fields mais recreativos e menos profissionais. Os jogadores recém-chegados ao jogo são a sustentabilidade da modalidade e não podemos penalizá-los, colocando-os ainda mais em desvantagem em relação aos regulares, quando estes têm determinado procedimento técnico menos correto. Acredito que isto não é defender estes jogadores mas sim defender o próprio jogo. Em todos os circuitos, por mais profissionais que sejam, aparecem sempre jogadores ainda “verdes” a jogar ao vivo, e essa inexperiência juntamente com a adrenalina, leva-os a cometer erros e imprecisões.

No primeiro caso, no que diz respeito às stacks dos jogadores que entram em late registration, concordo que não devam ser retiradas blinds; isto é o que praticamos nos circuitos organizados exclusivamente pelo Casino Estoril/Lisboa. Aliás, nós vamos mais além, pois achamos que mesmo um jogador que se tenha inscrito de véspera ou se tenha qualificado em satélite, só deve ficar com a stack activa a partir do momento em que chega à mesa. Porque é que um jogador numa destas situações não haverá de ter o direito de abdicar de jogar o nível 1, sem que lhe sejam retiradas as blinds?

Assim, o nosso procedimento é o seguinte: durante o período de late registration, só as stacks dos jogadores que compareceram no lugar é que estão activas; terminado este período, todas as stacks contabilizadas como pagas ou qualificadas passam a estar activas e a pagar blinds, mesmo que o jogador ainda não tenha chegado ao lugar. Desde que comecei a aplicar este método nunca mais tive problemas, é transparente, justo, igual para todos e fácil de entender.

Na segunda situação, perante aquilo que a PokerPT.com descreve no artigo, se nos focarmos na situação padrão de um jogador entregar as cartas ao dealer sem se aperceber que ainda há um ou mais jogadores para falar, e caso as cartas estejam claramente identificadas, repito, claramente identificadas e sem terem tocado em nenhumas outras cartas, defendo que devem voltar sempre atrás e dar-se a oportunidade de o jogador jogar a mão. Este ponto é bastante elucidativo daquilo que tentei explicar no parágrafo de introdução. É uma questão de bom senso, e um diretor de torneio consegue, logo à partida, perceber se foi um equívoco do jogador ou não, para além de que não nos podermos esquecer que este tipo de erro poderá ser “justificado” pelo último jogador ter as cartas tapadas com as mãos ou mesmo com as fichas.

Volto a referir que isto não é defender um jogador, é proteger o jogo em si e a sua verdade, visto que a prioridade da direcção de torneio é a de que as fichas passem de uns para outros a jogar  Poker e não em decisões de “secretária”.

No entanto, a minha interpretação da regra 13 não se aplica bem a este caso. O que a regra me diz no ponto A é que, um jogador para ganhar um pote em showdown, tem de expor todas as cartas de forma clara para que estas possam ser lidas e identificadas por todos. No ponto B diz que, se o jogador fizer o showdown de forma incorreta e o DT não conseguir identificar com 100% de certeza a sua mão, esta está morta. Ou seja, ao agir de forma tecnicamente incorreta o jogador está por sua conta e risco.

No que se refere à regra da linha limitadora, confirma aquilo que já praticávamos nos nossos torneios; para nós a linha nunca existiu pois o poker é um jogo de ações e movimentos e não de linhas.

Showdown: esta regra já teve avanços e recuos tanto no TDA como no EPT. Eu, pessoalmente, prefiro a regra de “last agressor”, é aquela que praticamos nos nossos torneios, a mesma que foi introduzida por Thomas Kremser nos EPT’s e que será praticada novamente durante a temporada 10 deste circuito. Essa é a essência do Poker, “pagar para ver”. Percebo que o Negreanu se tenha manifestado contra nas Bahamas, “ver pela mão” beneficia claramente os melhores jogadores.

Alteração que eu não concordo, e aqui, tanto o TDA como o EPT vão ficar em sintonia, que é a possibilidade de os jogadores envolvidos na mão voltarem a ter a hipótese de pedir, sempre que quiserem, para ver as mãos dos seus oponentes. Era bastante melhor quando estava definido que esta regra não podia ser alvo de abuso, e que o pedido tinha que ser fundamentado e sujeito ao critério do DT. Por isso, a regra do “showdown” passou a ter menos importância, pois no final, todos os jogadores vão poder ver as mãos dos jogadores que chegaram ativos ao fim da jogada.

Só estranho, em relação a esta regra, o TDA não definir claramente se as mãos que são pedidas para serem vistas, estão vivas ou mortas. O EPT é muito claro em relação a isto, e eu concordo plenamente, mão que seja pedida para ser virada, está viva e concorre ao pote, até porque assim, de certa forma, desencoraja os jogadores de pedir para ver as mãos dos seus opositores.

Resumindo, nesta matéria, e na minha opinião, a regra ideal é esta: sequência  para mostrar cartas – “last agressor” ; pedir para ver as cartas do oponente – só em casos excecionais, devidamente fundamentados e dependente do critério do DT; se por indicação do DT, uma mão facedown for virada, está viva e concorre ao pote.

Obrigar os jogadores a ter as cartas e as fichas visíveis parece-me standard e sempre foi assim. Proibir o jogador de ter a mão em cima das cartas para as proteger também me parece correto; a experiância diz-me que são os jogadores mais regulares que, com o pânico de ter sempre as cartas bem protegidas, mais as escondem com as mãos, provocando erros nos outros jogadores. A melhor forma de proteger as cartas é colocar uma ficha ou um cardprotector em cima delas; posso garantir que nunca vi umas cartas nesta situação a serem recolhidas pelo dealer.

Passar o tempo para 50 segundos, não altera em praticamente nada.

Quanto à regra 30, o EPT já a aplicava e nós também e, por coincidência, acabou por dar problemas em Barcelona com o Daniel Negreanu. A regra é sem dúvida boa, e o que melhor a justifica, é o facto de que um jogador que vem a correr para a mesa para poder jogar a mão, poderá ficar numa situação privilegiada ao passar nas costas dos jogadores que já receberam duas cartas e já estão a ver o seu jogo. Só acho que a regra poderia ser mais clara: dizer que o jogador tem que estar ao alcance da cadeira parece-me um pouco vago…

No caso especifico de Barcelona, a única atenuante que o Negreanu tem é o facto de 3 segundos antes ter sido ele a colocar a ante e a blind; com alguma perspicácia o dealer podia ter optado por deixá-lo jogar e adverti-lo. No entanto, depois de o dealer ter ”matado” a mão, só restava ao DT a confirmação desta decisão. Quanto à reação do Negreanu, não há nada que justifique a sua postura e maneira de estar.

Não foi só o TDA que efetuou alterações nas regras, o EPT também introduziu em Barcelona uma serie de novos procedimentos. Vou analisar detalhadamente os 2 diplomas antes de fazer o regulamento de torneios para 2014, com o objetivo de melhorar e equilibrar o que está atualmente em vigor. Não há que ter medo das mudanças, dos avanços e dos recuos, desde que tenhamos sempre como foco a evolução do jogo. Devemos encarar com normalidade que, diferentes circuitos, joguem com nuances e procedimentos diferentes, devendo o regulamento estar sempre disponível para quem o quiser consultar. Estas diferenças são de pormenor, a essência do jogo é sempre a mesma.

No fundo, acho que as novas orientações do TDA vêm a reboque das regras já praticadas na maioria dos circuitos europeus.

Renato Morais
Casino Estoril Sol
 

Renato Morais é Director de Torneios do Casino Estoril Sol e está hoje no Casino de Lisboa com o torneio CPS #17! Podes seguir toda a acção na Reportagem em directo de Lisboa.

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