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Doug Polk vai deixar de jogar porque diz que “já não se diverte a jogar poker”

Nos últimos 2 anos vários nomes mediáticos deste nosso mundo, anunciaram o seu abandono da carreira profissional. Alguns têm mantido a palavra, outros nem tanto, mas esta semana tivemos mais um nome muito mediático a anunciar a sua intenção de deixar de jogar poker e partir para outras aventuras.

Esse jogador/ex-jogador é Doug Polk, que além das suas façanhas nas mesas online, também se destaca pela sua presença nas redes sociais, nomeadamente com os vídeos publicados no Youtube.

Na passada terça-feira Polk publicou um vídeo onde abordou o desafio que conseguiu cumprir de ir dos $100 aos $10,000 ao longo de 2 anos, e dedicou os últimos minutos para anunciar a sua intenção sobre o futuro.

Podem ter percebido isto depois do discurso que fiz no final do desafio, mas não vou voltar a jogar poker. É um capítulo da minha vida que terminou e diverti-me muito. O poker deu-me muito, é um belo jogo. É espantoso que possas jogar por muito dinheiro num jogo de estratégia. Recordo quando me apercebi isso, tinha uns 16 anos de idade e descobri que se podia jogar um jogo a dinheiro, contra outras pessoas. É um jogo de estratégia que podes ganhar. É uma ideia tão bonita, o facto de a perícia de uma pessoa poder levar a uma carreira de ganhos. Essa ideia é fantástica.

É também por essa razão que me passo quando vejo empresas a dizer que “vamos aumentar o rake, porque não importa ganhar, o que importa são as slot machines e as arcas”. Não, não é.

O poker é sobre duas pessoas a aplicarem as suas estratégias para determinar quem é o melhor. E o que acontece numa sessão, num dia ou até numa semana, pode ter a ver com a variância. Mas ao longo do tempo o jogador mais capaz ganha. O poker é isto. É sobre uma pessoa ser capaz de um dia conseguir algo que não seria capaz de alcançar de outra forma. Vejam o meu exemplo, quando tinha 15/16 anos, a minha família sempre foi de classe média, média baixa e consegui pegar no pouco dinheiro que tinha, não me recordo se o meu primeiro depósito foi de $20 ou de $50, e transformei isso numa carreira. Transformei isso em conseguir viver a vida que queria. Com liberdade e todas as coisas que se seguiram.

Estou muito grato pelas oportunidades que tive e pelo que o jogo me deu, e é por isso que sinto responsabilidade em ajudar a proteger o jogo. Mas não sinto que tenho a responsabilidade de continuar a jogar. E isso é algo que vai deixar algumas pessoas tristes e peço desculpa a essas pessoas, é a pior parte disto, saber que vou desapontar muitos dos meus fãs. Não gosto disso, eu gosto de corresponder aos meus seguidores, que me apoiaram que acreditaram em mim.

Há já muito tempo que jogo poker, sentia que era uma rotina, um mero trabalho. Jogo poker há muitos anos, tenho 29 vou fazer 30 e jogo poker há mais de uma década. A jogar muitas horas de poker. E é algo que já não acho divertido, é algo que já não me ajuda a expandir o cérebro.

Alguns dos momentos mais divertidos que passei, são momentos em que tive duras batalhas de high stakes, uma batalha de estratégia onde estava taco a taco com os meus adversários. Ou quando estava a aprender conceitos de poker com os meus amigos, passar tempo com o pessoal com quem jogava. Mas nenhum deles está a jogar poker actualmente. Nenhum dos meus amigos joga, avançaram para outras coisas, começaram o seu próprio negócio, ou entraram no mundo das finanças. Não estão aqui, apenas estou eu.

Por isso se não estou rodeado dos meus amigos, das pessoas com quem gosto de estar, e toda a gente deixou o jogo, e não sinto que o poker me está a ajudar a expandir a mente de maneira a tornar-me melhor pessoa, então começas a pensar: porque é que estás a jogar? E é com isso que me teho debatido no último ano.

Passei muito tempo sem jogar antes deste verão, esperando que a chama voltaria ao jogar o Super High Roller Bowl e o Main Event, mas já não havia chama. Voltei a jogar e não apreciei.

Tenho de ser sincero, não vou tentar ser alguém que não sou, não sou falso. Tento sempre ser verdadeiro com toda a gente. E não me vejo a voltar a jogar poker. Não sei se isto significa que nunca mais vou jogar poker, não vou ser uma daquelas 50 milhões de pessoas que disseram que deixavam o jogo e na semana seguinte estavam de volta. Não quero fazer isso. Não digo que nunca mais vou jogar poker, apenas estou a dizer que por agora não vou jogar. Vou-me afastar do jogo por uns tempos. Não sei quanto tempo será e lamento se vos desapontei.

A conclusão é que não me vejo a voltar a jogar poker, vejo-me a fazer parte da comunidade a continuar a ter presença nas redes sociais, criando conteúdos, mas não me vejo a jogar.

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20/09/2018 PavlovDoorman Sem Comentários