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Dublin Chronicles: um último olhar sobre o IPO

Depois de um Fim de Semana carregadinho de Poker e Peripécias, é chegado o momento de arrumar a Casa e deitar um olhar geral sobre este International Poker Open, o Torneio de Poker com mais Participantes jamais realizado na Europa.

Essa é a verdade, este International Poker Open conseguiu atingir plenamente os seus objectivos, tornando-se no maior Torneio realizado até agora na Europa, com os seus 1072 Participantes. Mas é também importante colocar a pergunta: A que custo?

Para aqueles que ficaram por cá e tentaram acompanhar o desenrolar deste Evento através do site do PokerPT penso que deverá ter passado uma imagem algo negra sobre aquilo que a Armada Lusa encontrou em Dublin. No entanto, estou certo que aqueles de entre vocês que nos próximos dias tenham oportunidade de trocar impressões com amigos ou conhecidos que compareceram a esta jornada de Poker, verificarão que a generalidade das opiniões serão muito positivas. Então afinal como foi? Para perceber será necessário separar as águas, e é esse o objectivo desta (espero que) pequena crónica.

É óbvio que para a nossa rapaziada, chegar a Dublin e deparar-se com um Card Club práticamente em cada esquina, alguns dos quais não encerraram de todo durante o Fim de Semana inteiro, com cash games muito acessíveis para a nossa bolsa (geralmente Holdem PL 1€/2€) sempre a decorrerem e com Torneios regulares e diários foi um sonho; chegarem ao Torneio de Sábado e passarem-lhes p’às unhas 10.000 fichas, darem-lhes níveis de Blinds de 40 minutos no 1º dia e de uma hora no segundo e terem a possibilidade de jogar uma catrafada de horas seguidas de Poker, onde se viam movimentos de Bet – Raise – ReRaise – Fold "ao vivo" (coisa que, convenhamos, a malta não está muito habituada a ver) foi o paraíso na terra.
Temos que jogar em mesas desdobráveis com balões a indicar o número da mesa? Ok!
Há putos de 13 anos a servir de dealers? E depois?!
O único sítio para dar de comer a 1000 e tal gajos é uma roulote mais que manhosa, onde um pedaço de pão cortado em dois com uma salsicha sensaborona atirada lá p’a dentro é eufemísticamente apelidado de "Hot-Dog"? Que se lixe!!!
A malta quer é jogar Poker, "Já comi pior e não me fez mal!!"

É preciso perceber que, na melhor tradição aventureira dos nossos gloriosos antepassados, quem foi a Dublin para jogar Poker conseguiu atingir plenamente os seus objectivos, não ligando a sacrifícios e contrariedades para conseguir vencer sucessivas batalhas, quais Igrejos Exploradores Lusos, determinados em dilatar a Fé e o Império e em devastar as terras viciosas de Eire. E o resto a malta tá-se a c***r. E faz muito bem, tá no seu direito. A diversão e o gosto pelo Poker falaram mais alto do que as vicissitudes, e todos voltaram da Irlanda com o papinho cheio de Poker e de histórias para contar.

Outra coisa é pôrmo-nos no papel do crítico, tentarmos destacar-nos da nossa paixão geral pelo Poker e tentarmos analisar as coisas a frio e, acima de tudo, fazer o nosso trabalho de manter a nossa comunidade informada e por dentro de um evento a todos os títulos notável, como foi o International Poker Open; e é aí que "a porca torce o rabo"…

Penso que a pergunta que coloquei no início deste texto é a questão fulcral. Não é só decidir bor’aí fazer o maior torneio da Europa, é preciso ver qual vai ser o custo em termos de tempo de trabalho, recursos humanos, serviços paralelos para os jogadores, etc, etc.
Quando se está a vender um bem ou um serviço a um cliente, que é, no final de contas, o que se faz quando se organiza um Torneio de Poker, temos que ter o maior respeito por esse mesmo cliente, temos que pensar na qualidade desse serviço, na satisfação desse cliente, nas condições que o nosso "estabelecimento" vai fornecer a quem nos entra pela porta adentro. E isso, apesar de tudo, ficou muito, mas muito aquém das expectativas. Houve pormenores inadmissíveis de "falta de vista", demasiadas situações resolvidas em cima do joelho; destacaria aqui apenas dois exemplos flagrantes:
– assisti no início do Torneio à procura desesperada por parte da organização de voluntários entre os jogadores para que servissem também de dealers nas respectivas mesas, já que havia mesas sem dealer disponível
– no dia 2, como já foi referido, as 9 mesas restantes tiveram lugar em dois Card Clubs distintos, localizados em lados opostos da mesma rua; só num deles existia relógio, tendo a organização que comunicar por telefone para a outra sala como estava o nível de blinds, quantos jogadores iam caindo, lugares nas mesas etc. Entre os dados desse relógio não constava a "stack" média. Aos jogadores que saíam, era comunicada a sua classificação final, informação essa que era frequentemente corrigida à posteriori, porque afinal um outro jogador tinha caído imediatamente antes ou depois. Hand per Hand’s jogadas à distância, nem sempre da forma mais "concertada"… Enfim, coisas que podem parecer pormenores apenas, mas que, facilmente se percebe, condicionarão por certo o desenrolar de um evento e a prestação de cada um, já para não falar de possíveis faltas à verdade desportiva, se é que me faço entender…

Cabe aqui, no entanto, uma palavra de apreço e felicitações a Stephen McLean, o Director do Torneio, sempre exacerbado de trabalho, mas que conseguiu, apesar de todas as dificuldades que, também ele, teve de enfrentar, levar o Torneio até ao fim.
Igualmente de destacar a simpatia, educação e disponibilidade dos restantes membros da Organização e da generalidade dos Irlandeses, acho que perdi a conta aos "Excuse me", "Please" e "Sorry" ‘s que me foram dirigidos. O mesmo já não poderei dizer da senhora que fazia a ligação entre a Organização e a casa patrocinadora do Torneio, mas isso são contas dum outro Rosário.

Em jeito de conclusão, se eu vou voltar a Dublin? Espero bem que sim
Se vou jogar a próxima edição do International Poker Open? Gostava, mas primeiro vou ter que ter a certeza que há uma evolução grande na qualidade do serviço que vou pagar.
Então afinal o que é que esteve mal no meio disto tudo? Eh pah, já o meu Avôzinho que Deus tem me dizia há muitos anos, "João, nunca dês passos maiores que as tuas pernas!"

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