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“Calibrar a aposta de abertura” por Chris Ferguson

Eu nunca me canso de dizer isto: Se tu és o primeiro a entrar no pote num jogo de No Limit, nunca faças call. Se não estás preparado para fazer raise, atira a tua mão para longe.

Porquê? Simples. Ao fazer raise, tu colocas pressão nas blinds e nos outros jogadores da mesa, fazendo-os considerar o quão forte são realmente as mãos deles. Ao fazer raise também há hipóteses de que forces as mãos marginais a saírem da jogada antes mesmo de sair o flop, limitando o número de jogadores que tens de bater durante o restante da mão.

Ok, com isso fora do caminho, a próxima questão óbvia é: Quanto devo eu apostar?

A isso, eu digo: depende. Primeiro, tu não deves permitir que a força da tua mão afecte o tamanho do teu raise. Um jogo de poker pensado é como uma propriedade. Os três factores mais importantes em decidir quanto se deve apostar são: posição, posição, posição.

Tu queres sempre tornar as decisões dos teus adversários o mais difíceis possível. Ao escolheres o tamanho do teu raise, tu queres dar à big blind uma decisão difícil entre fazer call e passar se o resto da mesa passou até ele.

Fazer raise das primeiras posições é anunciar uma grande mão – uma que possa bater os sete ou mais jogadores que ainda têm que falar. Uma vez que estás a representar tal força, não é preciso um grande raise para convencer a big blind a passar. Também, uma vez que a tua mão é tão forte, tu, de qualquer forma, também não te importas que a big blind faça call. A razão real para um pequeno raise é que ainda faltam falar tantos jogadores depois de ti, que qualquer um deles pode “acordar” com um monstro e fazer-te re-raise.

Quando se faz raise nas últimas posições, estás a representar uma mão que pode bater as duas ou três mãos restantes. Isto dá-te muito mais liberdade para fazer raise com mãos marginais, mas o teu raise tem que ser maior ou a big blind pode fazer call facilmente. Outra razão para fazer raises maiores nas últimas posições é que estás a tentar colocar pressão na big blind para ele fazer fold, não fazer call e, mais importante, tu não tens muito mais adversários que te possam fazer re-raise.

Um dos erros mais comuns em No-Limit Hold’em é entrar com um raise que é demasiado grande. Nas primeiras posições, tu queres manter os teus raises em cerca de duas vezes a big blind. Com quatro a seis jogadores para falar depois de ti quando estás nas posições médias, podes fazer para cerca de duas big blinds e meia, e para cerca de três vezes a big blind nas últimas posições.

Se estás a representar uma grande mão ao fazeres raise nas primeiras posições, essa será a razão pela qual apenas irás jogar contra grandes mão. Porquê arriscar quatro, cinco ou mais blinds para ganhar apenas uma e meia dos jogadores das blinds quando tu muitas vezes estarás a correr contra monstros ao longo do caminho? Se tu tens A-Q em vez de A-A e um jogador vem para cima de ti, podes largar a tua mão sem teres arriscado muito.

Alguns iniciados fazem raises maiores com as suas mãos mais fortes para criarem um pote maior ou fazem raises menores com estes monstros para terem mais acção. Em vez disso, eu recomendo que tu jogues as tuas mãos iniciais sempre da mesma forma, qualquer que seja a mão que tens. Com A-A ou A-J aposta o mesmo montante para que não estejas a telegrafar a força da tua mão a adversários atentos. Uma excepção seria se souberes que os teus adversários não estão a tomar atenção e tiveres a certeza que os podes manipular.

Estes números precisam de ser alterados se houver antes. Tu deves geralmente adicionar metade do total de antes a todos os raises. O teu raise nas primeiras posições deve ser duas big blinds mais metade das antes, e três big blinds mais metade das antes para os teus raises nas últimas posições.

Existem muitos jogos ao vivo loose nos dias de hoje. Se te encontras num destes jogos e nãos consegues roubar as blinds com um raise normal, aperta um pouco o teu critério para as mãos iniciais e faz raises maiores. Se este raise continua sem conseguir apanhar as blinds, não apertes mais o teu critério de mãos, mas escolhe fazer raise com uma quantia à qual esperes que te façam call uma ou duas vezes depois de falares. Uma vez que os teus adversários estão a jogar demasiado loose, aproveita essa vantagem para construir potes maiores quando pensas que estás a tirar benefícios disso.

A última excepção é quando estás short-stacked. Se fazer os teus raises implica dizer que tens de colocar mais de um quarto das tuas fichas no pote, então avança e em vez disso faz all-in. Apostar um quarto da tua stack antes do flop compromete-te a fazer call a quase qualquer re-raise ou, no menor dos casos, dá-te uma decisão muito difícil. Ir all-in aqui em vez de fazer um raise menor, coloca uma decisão difícil aos teus adversários e elimina uma decisão difícil para ti. Tudo isto leva-nos de volta ao meu princípio inicial: Evitar ser aquele que apenas faz call.

Chris Ferguson

Tradução autorizada pelos seus autores e proprietarios dos direitos: [roomd=24].

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