Trata-se de um tópico sobre o qual me abordam frequentemente, especialmente porque jogo por norma num número de mesas elevado: o que faço e como faço para observar os adversários e os memorizar.
É uma questão que considero extremamente sensível e na verdadeira acepção da palavra pois trata-se mesmo de uma questão de sensibilidade pessoal.
Ora, sinto sempre que o melhor que posso fornecer ao outro jogador é uma linha orientadora muito vaga e geral pois a eficácia com que se observa os adversários está dependente essencialmente de dois factores: aptidões pessoais; experiência.
Portanto, esta é uma questão que terá de ser trabalhada pessoal e individualmente, não se ensina nem se incute em meia duzia de linhas da mesma forma que não se poderá chegar junto do «Guernica» de Picasso e dissertar sobre a obra de arte ali exposta e esperar que o atento ouvinte chega de seguida junto de «O Grito» de Munch e faça o mesmo, assim sem mais nem menos, sem que tenha a sensibilidade pessoal e a experiência necessária para avaliar obras de arte.
Com o treino e as potencialidades próprias dos jogadores a sua capacidade de observação dos jogadores adversários e a sua memorização virá ao de cima... ou não.
Se não vier, se for esse o caso, então torna-se extremamente necessário que recorram a algumas ferramentas auxiliares como notas sobre os jogadores (disponíveis nos diversos softwares das próprias casas de poker) ou ainda a aplicações como o Poker Tracker ou o Poker Office que guarde as mãos jogadas e classifique numerica e estatisticamente os jogadores adversários. Em boa verdade, estas aplicações são úteis mesmo nos casos em que o jogador tem já aquelas capacidades desenvolvidas. Já as notas considero-as nesse caso dispensáveis e mesmo algo traiçoeiras por uma questão relativamente simples mas eventualmente pouco óbvia: os jogadores não jogam sempre da mesma forma (no caso das aplicações, estas vão recolhendo as novas mãos e evoluindo em sintonia, já as notas podem induzir-vos a graves erros) não só porque os jogadores evoluem e mudam de estilo (em particular os jogadores menos sólidos e consistentes) mas também porque o humor do jogador não é sempre o mesmo. Imaginem que jogam com o jogador xis num dia em que este se encontra em Tilt e colocam uma nota de craizy-raiser, bluffer, etc e vão encontrar o jogador passado uma semana a jogar bastante mais sólido e se baseiam naquela nota. Até que se apercebam do erro, poderá sair cara a nota sobre o jogador. O mesmo se aplica a um jogador iniciado em fase de franca evolução.
Já se não utilizarem outra ferramenta que não seja a vossa cabeça e a vossa memória, atribuirão inconscientemente um peso bem superior à informação mais recente e não serão tão facilmente induzidos em erro.
Pessoalmente devo dizer que praticamente nunca recorro a notas.
Deixo um resumo dos aspectos que considero mais relevantes mas pelas razões já apontadas deixo-os como simples tópicos que eventualmente servirão de orientação. Aprofunda-los e exercitá-los será inevitavelmente o trabalho de cada um.
Aspectos do estilo de jogo:
Jogadores-padrão a identificar prioritariamente:
Por norma, não me preocupo particularmente em identificar jogadores sólidos a não ser num caso particular: deparar-me com uma mesa repleta de jogadores sólidos.
Algum jogador mais orgulhoso poderá eventualmente ser levado a pensar algo como: «aqui está uma mesa ao meu nível, um desafio interessante» ou ainda «não vou dar parte fraca e abandonar a mesa, eu sei jogar e não tenho medo deles».
Pois bem, este é para mim um dos erros mais estúpidos que um bom jogador pode cometer. Uma perfeita estupidez. E apresento duas razões susbtanciais para esta opinião:
São razões mais do que suficientes para abandonar uma mesa destas assim que a identificam. Uma mesa, para que tenha interesse do ponto de vista financeiro, terá de apresentar edge entre os jogadores suficiente para superar o que a casa retira da mesa.
Marco António







