A Sorte não tem dias! 
Hoje estás com sorte para cá, hoje estou cá com um azar para lá... mas a verdade é que a sorte não tem dias. Todos os dias vejo jogadores impertinentes - para mim, são, extremamente - a dizer algo como «what a lucky player», «it is all about luck», «it is your lucky day», etc, etc...
Ora, não existem jogadores com sorte no Poker. Se o jogador joga repetida e continuadamente não haverá sorte que o valha e ponto final. Eu nunca me deparei com tal jogador que tenha sempre sorte já tendo defrontado dezenas e dezenas de milhares de jogadores e estou certo que tal jogador não existe. O que poderá ocorrer - e de facto ocorre - é um jogador ter aquilo que classificamos de sorte - e que poderíamos igualmente nomear por feliz acaso para sublinhar o aspecto casuístico do acontecimento - num determinado período de tempo (indeterminável à priori) ou num conjunto limitado de mãos.
Quero pois dizer que ninguém é dono da sorte. Esta vai e bem, passa por todos os jogadores sem preferências ou prioridades, sem qualquer teor de previsibilidade. Sem dia nem hora, sem nome ou posse...
Claro, somos capazes de nos referir a um determinado dia como um dia de sorte ou de azar mas fazemo-lo por norma à posteriori por norma. isto é, no final do dia ou ao fim de um certo número de jogadas fazemos essa avaliação. Mas o facto de termos tido azar até uma determinada altura num determinado dia nada significa relativamente ao resto do dia que poderá vir a ser completamente diferente. Umas vezes será, outras não, não existindo qualquer relação com o que está para trás nesse dia...
O acaso é acaso e não tem relação com o passado ou não seria acaso de todo.
E onde quero chegar é que não há razões para abandonar uma mesa porque o jogador A ou B está em dia de sorte pois como já defendi - e de resto é demonstrável - a sorte não tem dias, não está colada a esse jogador e não vai permanecer com ele indefinidamente. Nem sequer nesse dia em particular.
E há um caso particular e extremamente crítico: o jogador maníaco.
Crítico porque este jogador com toda a sua loucura e agressividade, consegue fazer mossa nos restantes jogadores se atravessa uma maré de sorte.
Convém no entanto esclarecer que estes jogadores no longo-prazo são enormes perdedores e estão a maior parte do tempo a atirar dinheiro para a mesa, a alimentar as stacks dos restantes jogadores. Desde que se saiba defrontar este tipo de jogador - como qualquer outro estilo existirão estratégias e abordagens mais adequadas a aplicar com este tipo de jogador tendo em conta a forma como ele actua - não existem razões para abandonar a mesa esteja ele a atravessar uma maré de sorte ou azar. Na realidade, pontualmente, até poderá ser mais indicado permanecer se ele atravessa uma maré de sorte porque note-se: 
Em vez de abandonar a mesa eu deixo outra sugestão a aplicar sempre que possível: se ele se encontra à vossa esquerda na primeira oportunidade mudem de lugar e vão para a esquerda dele. Tirarão muito mais partido das más jogadas dele: poderão defender-se desistindo de mãos com demasiada acção para a força ou potencialidades da vossa mão e poderão extrair mais das mãos em que se encontram à frente realizando raises em cima dele e controlando melhor as guerras de raise. Podem ainda cala-lo com raises por forma a verem mais barato o turn e o river em mãos onde estão dependentes das cartas que estão para vir.
A única salva que faço - no sentido de abandonar a mesa - é quando a sorte de alguém vos está a perturbar o jogo e a prejudicar nas vossas decisões. Nesse caso e se estão afectados, não capazes de tomar as melhores decisões, então devem definitivamente abandonar a mesa... ou mesmo o jogo para o dia.
Marco António







