O jogador sempre apto a criticar o adversário tem maiores lacunas e tende a perder a objectividade quando se trata dele próprio...
Se já vimos com que frequência os jogadores tendem a criticar os adversários no reverso da medalha o mesmo jogador reflecte um comportamento bem diferente quando se trata de auto-crítica. Por vezes com resultados algo caricatos...
Quando os resultados são favoráveis, devem-se à qualidade do nosso jogo. Quando os resultados são medíocres a culpa é do azar!
Este é para mim um dos grandes paradigmas da psicologia do jogador de poker e que reflecte essa tal dificuldade no que diz respeito à auto-crítica. É bem difícil distinguir o que é qualidade de jogo e apenas factor sorte para o próprio jogador, da mesma forma como é difícil reconhecer que os resultados medíocres se devem não ao factor azar mas a uma fraca qualidade do jogo praticado.
Um corolário desta característica tão comum do jogador de poker é forma sensível como os jogadores cedem ao efeito de curto-prazo do factor sorte. Numa semana serão capazes de se sentir super-confiantes fruto de uma série de bons resultados para na semana seguinte se sentirem completamente frustrados face a uma série de maus resultados, questionando o que afinal sabem sobre o jogo.
Esta forte influência pode ser bem negativa em ambos os sentidos:
Chegamos mesmo ao ponto caricato em que o jogador joga passivamente os seus bullets (
) com receio de perder com a melhor mão do poker.
Obviamente não pretendo estar aqui a criticar o jogador de poker em geral nem pretendo que porventura quem - e suponho que serão bastantes - se identificar com algumas destas passagens se sinta atingido ou melindrado. São, tanto quanto concebo, comportamentos, sentimentos e reacções perfeitamente normais, bastante comuns e frequentes.
O objectivo é obviamente o da reflexão e o da auto-crítica tão objectiva quanto possível.
Se uma série de resultados o surpreender pela positiva não pense logo em saltar para stakes superiores. Se uma série o surpreender pela negativa não permita que o seu jogo se adultera apenas por factores temperamentais.
Nalgumas milhares de mãos tudo pode acontecer, desde o fantástico ao péssimo e para analisar a sua própria performance - e daí retirar ilacções, tomar resoluções - necessita de uma base alargada de mãos que dependendo do ritmo a que joga poderá ser de semanas ou meses.
Se achar que tem sempre azar então reveja o seu jogo, confronte opiniões com outros jogadores mais experientes. Nenhum jogador tem sempre azar. Nem tão pouco o poker é um jogo de sorte ou azar.
Marco António







