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André Antunes


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Semanalmente convidamos personalidades do poker nacional e reservamos este espaço para os membros poderem colocar perguntas. De todas as perguntas enviadas, serão seleccionadas as melhores e o entrevistado responderá a essas perguntas nesta mesma página. Regista-te e participa.

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André Antunes

André Antunes
Jornalista da Sic e Sic Notícias
 

André Antunes trabalha na conhecida estação televisiva há 8 anos e meio. Já passou pela Editoria de Sociedade e pela equipa do Jornal da Noite onde realizou várias reportagens de médio formato. Em Dezembro de 2007 foi nomeado Editor-Executivo da Informação da SIC, cargo que ocupa até hoje. Nos últimos 5 meses coordenou também o Primeiro Jornal da SIC.

Ao longo dos ultimos 8 anos e meio na SIC, fez 4 Grandes Reportagens, um Perdidos e Achados e várias Reportagens Especiais e de médio formato.

Dá também Formação no CENJOR, Centro Protocolar de Formação para Jornalistas, e tem o Curso de Formação para Jornalistas em zonas de conflitos, dado pelo Exército Português, entre outros.

Na Comunidade PokerPT.com ficou conhecido pela recente reportagem de sua autoria, "A Febre do Poker". Aproveitem esta oportunidade para exporem as questões mais pertinentes ou até as mais incómodas (desde que de forma respeitosa) que gostariam que fossem respondidas.

As perguntas podem ser colocadas até ao 12:00 do dia 11 de Fevereiro e as respostas serão divulgadas a partir das 21:00 no vosso já conhecido espaço de Heads Up.

 

 


Perguntas
  1. André, Não fiquei exactamente a saber se a montagem e a edição da reportagem foi da sua autoria ou teve apenas o "trabalho" de ir as Bahamas passar uns dias. No caso de ter sido apenas responsável pela parte de entrevistar as "vítimas" desta reportagem, o que achou do trabalho final desenvolvido pelos seus colegas, e no caso de ter realizado toda a peça, sente-se responsável ou não, pela mistificação do póquer como algo negro e sombrio na sociedade portuguesa? Obrigado, e desde já os parabéns pela coragem de por cá aparecer.
  2. Antes de mais, quero-te felicitar pela reportagem, em que a meu ver, destacas-te o lado bom do poker, com os casos dos jogadores nacionais mas realças-te sobretudo o lado menos bom extremo do poker, como o vício, a falência financeira e “pessoal”. Gostava de saber se a mensagem final da reportagem é de um jogo com grande risco pessoal que não compensa jogar ou por outro lado, de um jogo que tem os seus riscos q.b., como tudo na vida mas que jogado com “cabeça” pode vir a ser uma profissão, apesar de lucros incertos, como trader na bolsa financeira, por exemplo. Obrigado
  3. Olá André. Estivemos os 2 nas Bahamas e de formas diferentes ambos fizemos parte do PCA. Daquilo que observaste, especialmente no que respeita às pessoas, o que reparaste mais foram jogadores compulsivos que destroem a sua própria vida com o jogo ou pessoas felizes de bem com a vida a viver um grande momento?
  4. Olá André, tudo bem desde as Bahamas? As minhas perguntas são: que imagem pensas que um pessoa que não conhece o poker tem agora depois de ver a vossa reportagem? Concordas que essa imagem é a real?
  5. Boas, Porque é que não mencionou o Torneio de Caridade do PCA? Ainda há pouco tempo a Pokerstars e outras salas de Poker Online, fizeram campanhas de angariação de fundos para ajudar o Haiti. Cumprimentos e espero que qualquer conteúdo sobre Poker (Texas Hold'em) na imprensa portuguesa não volte a ser comparado com jogos de sorte/azar.
  6. Viva, As minhas questões são simples: a Pokerstars pagou a viagem da SIC às Bahamas? Se sim, esse facto não deveria ter sido explicado no decurso da reportagem, por exemplo, na parte em que é mencionado o investimento de 5 mil ou mais euros na viagem feito por alguns jogadores? É que os espectadores podem ficar com a ideia que SIC investiu 10 mil ou mais euros a mandar dois repórteres a uma estância de luxo nas Caraíbas, o que é enganoso. Dado que o tema central não é o poker em si, mas o vício do jogo em Portugal, como é possível ir às Bahamas e a reportagem ser emitida com este tom dramático sem a "investigação" contemplar a presença em alguns dos muitos torneios de poker que se realizam no circuito nacional? Por último, André, e como sabes perfeitamente que na SIC há quem jogue poker, tal como em todas as redacções, achas que nós, jornalistas, também somos todos "criminosos" ou a Lei é que é anacrónica e desajustada à realidade do Século XXI?
  7. Em relação à reportagem, independentemente daquilo que sejam as diferentes perspectivas de ver a realidade do poker, penso que se abordou coisas que não têm nada a ver umas com as outras podendo o telespectador mais desatento metê-las no mesmo saco. Dentro desta crítica faço uma pergunta: Em que medida um jogador compulsivo de casino que durante 25 anos jogou "das 3 às 3" e destruiu a sua familia com esse seu vício, mas que já não joga há 3 anos (e como o poker só existe nos casinos há 2 anos é seguro dizer que nunca jogou poker), faz parte desta reportagem chamada "febre do poker"?
  8. Boa noite, Antes de mais queria referir que tenho 21 anos e sou jogador "profissional" desde os 18 anos. Se eu não soubesse nada de poker a ideia com que ficaria depois de ver a sua reportagem era de que é um jogo de azar, um vício e extremamente perigoso. Por isso coloco-lhe as seguintes questões: 1) O poker é um jogo de azar? Se sim porque é que há jogadores a ganhar consistentemente e se não porque é que fez passar essa ideia? 2) Qual é a % de jogadores de poker que acha que são "viciados"? Porque é que fez passar a imagem de que é a maioria? 3) Porque é que misturou poker de slot machines com POKER? Foi o facto de ter lá "poker" no meio do nome? 4) Referiu que a Santa Casa encomendou um estudo à Universidade Católica sobre os malefícios do poker. Qual acha que é o jogo em que portugueses perdem mais dinheiro: o Euromilhões ou o poker? 5) Se tivesse que escolher: preferia jogar no euromilhões (da santa casa) ou jogar poker (no casino do estoril)? Ou ambos? Obrigado, André Santos
  9. Boa noite André! Queria agradecer o teu "insta-call" ao convite para vires enfrentar as feras. Quanto às perguntas, acho que vou fazer 3 numa só: 1- Uma das imagens mais negativas da reportagem foi o comentário anti-praia do Ruca. No entanto, soubemos que o Tcmoreira andou a falar e a passear contigo na praia, gostaria de saber porque razão optaste por ignorar a conversa com o TC na reportagem? 2- Tal como já expressei no meu blog, acho que fizeste uma grande confusão ao juntar vídeopoker, máquinas de tabaco e o nosso poker. Depois de veres a imprecisão que tiveste nesse campo se tivesses a editar o programa hoje, optarias por contar essas partes? 3- Se a reportagem se chamasse “ A Febre do Texas Hold´em”, seguirias a mesma linha ou optavas por tentar retratar os 95-98% que jogam poker de forma saudável e que têm como principal objectivo divertirem-se com os torneios de poker (mesmo tendo resultados negativos)? Um abraço, João "JoMané" Nunes
  10. Boas André, Quando vieram ter connosco nas Bahamas nunca rejeitamos ajudar no vosso trabalho, estando sempre disponíveis para responder às vossas perguntas e deixando mesmo entrar nos nossos quartos para fazerem o vosso trabalho. Não sei se fazes ideia mas o que vocês trouxeram "cá para fora" só ajudou a denegrir a nossa imagem junto da sociedade e da nossa família. Tanto eu como o Palma ou o Dattani falámos muito mais do que aquilo que aparece na reportagem, vocês usaram apenas o que vos interessava para nos fazer passar por viciados no jogo. Gostava de saber qual era o vosso objectivo inicial nesta entrevista, porque nas Bahamas disseram-nos que iam fazer uma coisa sobre poker, mas na realidade fizeram uma reportagem sobre vicio do jogo em que misturaram tudo e meteram tudo no mesmo saco... É por coisas como estas que perco cada vez mais a vontade de falar com os media. Resumindo gostava de saber qual era o vosso objectivo principal neste trabalho quando se deslocaram às bahamas.
  11. Viva. Eu sou o Michel que entrevistaste nas Bahamas. Costumas omitir sempre o propósito das tuas reportagens? Para que foi tanta pergunta acerca das estatísticas e de como estudávamos o jogo se o objectivo da reportagem era este?
  12. Obrigada André pela disponibilidade! Queres deixar alguma mensagem à Comunidade PokerPT.com?

Pergunta por addict

André, Não fiquei exactamente a saber se a montagem e a edição da reportagem foi da sua autoria ou teve apenas o "trabalho" de ir as Bahamas passar uns dias. No caso de ter sido apenas responsável pela parte de entrevistar as "vítimas" desta reportagem, o que achou do trabalho final desenvolvido pelos seus colegas, e no caso de ter realizado toda a peça, sente-se responsável ou não, pela mistificação do póquer como algo negro e sombrio na sociedade portuguesa? Obrigado, e desde já os parabéns pela coragem de por cá aparecer.
Resposta

Caro Addict, eu não fui 'passar uns dias às Bahamas'. Fui lá fazer o meu trabalho. Tê-lo-ia feito com a mesma vontade e empenho se tivesse sido em Freixo-de-Espada á Cinta. E quem esteve comigo e com o repórter de imagem que me acompanhou pode testemunhar o nosso empenho enquanto lá estivemos. Não sei o que quer dizer com edição e montagem. Posso dizer-lhe que todas as entrevistas, o texto, a construção da narrativa são da minha responsabilidade. As imagens (ou filmagens) são feitas por outro profissional e a montagem (a sequência de imagens) é feita por outro ainda. Nesse sentido serei sempre responsável pelo meu trabalho, seja ele qual for. Quanto à mistificação ou algo negro e sombrio é você que o está a dizer. Com disse anteriormente, nós apenas mostrámos os vários lados de uma realidade que muitas pessoas parecem desconhecer ou simplesmente ignorar. Posso também dizer-lhe que o Addict ficou com essa impressão eu tive vários contactos no sentido inverso, ou seja, de pessoas que acham que o poker é dinheiro garantido.Depende da nossa forma de olhar e do nosso grau de distanciamento.


Pergunta por opescador

Antes de mais, quero-te felicitar pela reportagem, em que a meu ver, destacas-te o lado bom do poker, com os casos dos jogadores nacionais mas realças-te sobretudo o lado menos bom extremo do poker, como o vício, a falência financeira e “pessoal”. Gostava de saber se a mensagem final da reportagem é de um jogo com grande risco pessoal que não compensa jogar ou por outro lado, de um jogo que tem os seus riscos q.b., como tudo na vida mas que jogado com “cabeça” pode vir a ser uma profissão, apesar de lucros incertos, como trader na bolsa financeira, por exemplo. Obrigado
Resposta

Olá opescador. A reportagem não tem como objectivo transmitir nenhuma mensagem. O unico objectivo foi sempre mostrar vários lados da realidade e várias formas de encarar e viver o poker. E nesse sentido deixar que cada um tire as suas conclusões. E garanto-lhe que cada um tira sempre uma conclusão diferente do vizinho do lado como é sempre habitual em trabalhos deste género. O que é pena é que muitas vezes, as pessoas só olhem para um lado quando lhe são mostrados vários. Ainda bem que você os identificou quase todos.


Pergunta por joaobarb

Olá André. Estivemos os 2 nas Bahamas e de formas diferentes ambos fizemos parte do PCA. Daquilo que observaste, especialmente no que respeita às pessoas, o que reparaste mais foram jogadores compulsivos que destroem a sua própria vida com o jogo ou pessoas felizes de bem com a vida a viver um grande momento?
Resposta

Olá João. Eu nas Bahamas não vi nenhum jogador compulsivo. Porque eu não sei identificar um jogador compulsivo. Não sou psicólogo nem psiquiatra para fazer essa classificação. Nem em momento algum refiro na reportagem que os jogadores que estão ali são jogadores compulsivos, como podes comprovar se revires a reportagem com mais atenção.


Pergunta por tcmoreira

Olá André, tudo bem desde as Bahamas? As minhas perguntas são: que imagem pensas que um pessoa que não conhece o poker tem agora depois de ver a vossa reportagem? Concordas que essa imagem é a real?
Resposta

Olá Tomé. Obrigado por teres enviado uma pergunta. Quando a reportagem foi para o ar, como deve calcular, recebi todo o tipo de feedback. Desde pessoas que não faziam ideia do que era o mundo do poker (num sentido lato), a pessoas que ficaram embriagadas com os milhões que se ganham, a outras que ficaram surpreendidas com o facto de haver várias pessoas que têm o poker como profissão a outras que ficaram impressionadas, bastante impressionadas até com o facto de haver alguns casos de vicio ligado ao jogo. Acho que a questão da imagem que passa depende de cada um de nós, da nossa forma de ver as coisas e do nosso grau de distanciamento em relação aos acontecimentos. Mas acho que as pessoas não conhecem o jogo ficaram a conhecer vários lados de uma realidade que até então lhes era desconhecida, e não apenas os torneios da TV do Texas Hold'em.


Pergunta por Thoulin

Boas, Porque é que não mencionou o Torneio de Caridade do PCA? Ainda há pouco tempo a Pokerstars e outras salas de Poker Online, fizeram campanhas de angariação de fundos para ajudar o Haiti. Cumprimentos e espero que qualquer conteúdo sobre Poker (Texas Hold'em) na imprensa portuguesa não volte a ser comparado com jogos de sorte/azar.
Resposta

Olá Thoulin. A classificação de Texas Hold'em enquanto jogo de sorte ou azar não é minha. É da lei portuguesa, das autoridades portuguesas e das autoridades de quase todos os países. Quanto ao Haiti, penso que não tinha qualquer revelância. O assunto não era o Haiti. Era o poker. Esta semana fala-se muito da notícia em torno do negócio da compra da TVI envolvendo a PT. Se alguma delas der dinheiro para o Haiti ou organizar alguma campanha a favor das vítimas do Haiti, esse facto não terá qualquer interesse jornalistíco no momento.


Pergunta por Hooligato

Viva, As minhas questões são simples: a Pokerstars pagou a viagem da SIC às Bahamas? Se sim, esse facto não deveria ter sido explicado no decurso da reportagem, por exemplo, na parte em que é mencionado o investimento de 5 mil ou mais euros na viagem feito por alguns jogadores? É que os espectadores podem ficar com a ideia que SIC investiu 10 mil ou mais euros a mandar dois repórteres a uma estância de luxo nas Caraíbas, o que é enganoso. Dado que o tema central não é o poker em si, mas o vício do jogo em Portugal, como é possível ir às Bahamas e a reportagem ser emitida com este tom dramático sem a "investigação" contemplar a presença em alguns dos muitos torneios de poker que se realizam no circuito nacional? Por último, André, e como sabes perfeitamente que na SIC há quem jogue poker, tal como em todas as redacções, achas que nós, jornalistas, também somos todos "criminosos" ou a Lei é que é anacrónica e desajustada à realidade do Século XXI?
Resposta

Olá Hooligato. Para que fique claro, a PokerStars pagou a viagem e a estadia. Este trabalho teria sido feito na mesma sem isso, talvez num EPT mais perto de Portugal. Quando contactei a PokerStars para lhes pedir autorização/acreditação para ir ao EPT de Praga para fazer este trabalho (pago pela SIC) eles fizeram uma contraproposta. Nós irmos às Bahamas, eles pagavam a viagem e a estadia, mas o torneio seria mais aliciante por todos os motivos que vocês conhecem (mais e melhores jogadores, buy-in mais alto, prize pool maior, um sitio mais interessante). E havia um outro argumento que para nós tinha um peso brutal. Podia-se filmar à vontade, sem limitações, que é um aspecto que muita gente desconhece. Nesse mesmo instante, a minha resposta à PokerSstars foi que iriamos mas que em certas condições. Que não podia haver qualquer imposição ou limitação por parte da PokerStars nem qualquer tipo de interferência nos conteúdos e que o trabalho que estavamos a fazer era sobre o fenómeno do poker em geral e não sobre este evento em particular. Eles aceitaram essas condições. E para quem sabe o que são os custos de trabalhar em televisão, esta proposta era obviamente de aceitar. E não tivemos NUNCA, EM MOMENTO ALGUM, qualquer tentativa de interferência no nosso trabalho. Nem nós, nem outros 2 colegas da imprensa que foram connosco. Pelo que sei, o Hooligato também é jornalista e conhece esta realidade e cabe-nos a nós, jornalistas, traçar a linha. E a minha linha com a PokerStars foi traçada no primeiro instante por todos os motivos óbvios. E pode perguntar-lhes. Respondendo ao fim da primeira pergunta, eu próprio já fiz outras viagens de trabalho também para reportagens, bem mais caras que esta. Acho é que para o público (e o público da grande reportagem não são só jogadores de poker) não tem qualquer interesse informativo se quem pagou a viagem foi A, B ou C. Calculo que pelo seu jornal também já tenha ido para fora do país em trabalho. Quantas vezes referiu nos seus textos quem lhe pagou a viagem? 2- Como sabe, nos circuito Solverde é expressamente proibida a recolha de imagem, uma vez que o torneio se passa dentro de um casino. Tenho pena de não ter podido mostrar essa realidade. Mas é uma situação que foge das minhas mãos. Por último, eu não acho ou deixo de achar que o jornalista ou qualquer outra pessoa que joga poker é criminosa. Não fui eu que fiz a lei. Nem sou eu que tenho de a mudar. Acho é que quem quer lutar por isso tem aqui uma janela de oportunidade. Nunca antes se falou de poker em prime-time. E desta vez falou-se. O programa foi visto por 1.200.000 espectadores, aproxidamante. Este pode ser o momento para os jogadores de poker fazerem um esforço maior, talvez bater à porta de um grupo parlamentar e tentar avançar com uma proposta de lei ou uma alteração à lei do jogo, senão, na minha opinião, o que vai acontecer em Portugal, é que o governo nunca se há-de mexer porque tem mais em que pensar e a imposição, seja ela qual for, virá de Bruxelas.


Pergunta por joaobarb

Em relação à reportagem, independentemente daquilo que sejam as diferentes perspectivas de ver a realidade do poker, penso que se abordou coisas que não têm nada a ver umas com as outras podendo o telespectador mais desatento metê-las no mesmo saco. Dentro desta crítica faço uma pergunta: Em que medida um jogador compulsivo de casino que durante 25 anos jogou "das 3 às 3" e destruiu a sua familia com esse seu vício, mas que já não joga há 3 anos (e como o poker só existe nos casinos há 2 anos é seguro dizer que nunca jogou poker), faz parte desta reportagem chamada "febre do poker"?
Resposta

Já respondi a esta questão num post anterior. Admito que devia ter feito uma maior distinção entre video poker e o texas hold'em. Mas olha que daquilo que vi e do que se passa em muitos cafés, bares e outro tipo de casas, o video poker é um fenómeno impressionante (como se percebe naquele armazém da inspecção de jogos). E quem joga aquilo diz que joga poker. Acha que joga poker. É um poker diferente, mas aos olhos deles e aos olhos da lei é poker. Nesse sentido, tinha todo o cabimento na reportagem, mas volto a frisar que devia ter feito melhor a distinção. ps. - o senhor não disse que tinha destruído a familia. Mas a vida foi pelo cano abaixo. E tive o privilégio de o conhecer. Hoje, o sr. João é um homem de uma riqueza impressionante.


Pergunta por Wade

Boa noite, Antes de mais queria referir que tenho 21 anos e sou jogador "profissional" desde os 18 anos. Se eu não soubesse nada de poker a ideia com que ficaria depois de ver a sua reportagem era de que é um jogo de azar, um vício e extremamente perigoso. Por isso coloco-lhe as seguintes questões: 1) O poker é um jogo de azar? Se sim porque é que há jogadores a ganhar consistentemente e se não porque é que fez passar essa ideia? 2) Qual é a % de jogadores de poker que acha que são "viciados"? Porque é que fez passar a imagem de que é a maioria? 3) Porque é que misturou poker de slot machines com POKER? Foi o facto de ter lá "poker" no meio do nome? 4) Referiu que a Santa Casa encomendou um estudo à Universidade Católica sobre os malefícios do poker. Qual acha que é o jogo em que portugueses perdem mais dinheiro: o Euromilhões ou o poker? 5) Se tivesse que escolher: preferia jogar no euromilhões (da santa casa) ou jogar poker (no casino do estoril)? Ou ambos? Obrigado, André Santos
Resposta

Caro Wade, obrigado pelas perguntas. Vou tentar responder a todas. Se ouvir a reportagem com atenção, a sua primeira pergunta está lá respondida. Além disso, não sou eu que faço a classificação dos jogos. É o legislador. E em todo o mundo (penso eu) o poker está inserido na categoria de jogos de sorte ou azar. A 2ª parte da primeira questão também está respondida na reportagem, com os casos do Negreanu, do Moneymaker, até do Rui Milhomens. Há certamente muitos mais jogadores, mas não podia enumerar todos. Já agora, proponho-lhe um artigo muito interessante da revista Time sobre um estudo que se fez sobre as vitórias no poker. Sabia que quanto mais se joga maior é a probalidade de perder dinheiro? (Isto é apenas um à parte. Segue o link: http://www.time.com/time/health/article/0,8599,1953205,00.html) 2- Não se sabe o número de jogadores que são viciados e eu NUNCA disse que é a maioria. Eu disse apenas que no consultório daquele psicólogo especializado em jogo o número estava a crescer e que o um quarto dos pacientes dele já eram de poker online. E que ao jogadores anónimos também estavam a chegar mais pedidos de ajuda (disse isto por outras palavras). Nâo disse mais nada que não fosse isso 3- Respondido acima 4- Curiosamente não jogo nenhum deles com regularidade. Deve ter jogado no euromilhões as mesmas vezes que joguei poker ao vivo. Há uma imprecisão na sua pergunta. O estudo da santa casa não tem nada a ver com poker. Tem a ver com jogo online (todo o jogo online). Não faço ideia onde se perde mais dinheiro, mas acredito que se seja no euromilhões, mas também acredito que o Wade sabe que o dinheiro não nasce nem se reproduz, por isso para uns ganharem tanto outros têm de o perder.


Pergunta por JoMané Pokerpt

Boa noite André! Queria agradecer o teu "insta-call" ao convite para vires enfrentar as feras. Quanto às perguntas, acho que vou fazer 3 numa só: 1- Uma das imagens mais negativas da reportagem foi o comentário anti-praia do Ruca. No entanto, soubemos que o Tcmoreira andou a falar e a passear contigo na praia, gostaria de saber porque razão optaste por ignorar a conversa com o TC na reportagem? 2- Tal como já expressei no meu blog, acho que fizeste uma grande confusão ao juntar vídeopoker, máquinas de tabaco e o nosso poker. Depois de veres a imprecisão que tiveste nesse campo se tivesses a editar o programa hoje, optarias por contar essas partes? 3- Se a reportagem se chamasse “ A Febre do Texas Hold´em”, seguirias a mesma linha ou optavas por tentar retratar os 95-98% que jogam poker de forma saudável e que têm como principal objectivo divertirem-se com os torneios de poker (mesmo tendo resultados negativos)? Um abraço, João "JoMané" Nunes
Resposta

A conversa que tive com o tcmoreira foi uma conversa informal na praia, enquanto não estávamos a trabalhar. Trocámos impressões sobre poker e sobre jornalismo. O comentário anti-praia do António Palma (Ruca) é dele. Foi ele que o disse num contexto formal. Além disso, penso que o Ruca representa o espirito da grande percentagem de jogadores que estavam no PCA. O ângulo da reportagem não era o Texas Hold'em. Era o fenómeno do poker em Portugal e um pouco lá fora. E assim como há o grande fenómeno do Texas Hold'em em Portugal há também outros associados ao poker num sentido mais geral. E o trabalho era sobre poker. E desse ponto de vista, não podia ignorar o facto de haver milhares e milhares de equipamentos que são apreendidos, que são usados indevidamente para sacar dinheiro às pessoas, sem qualquer tipo de controlo, e que estão espalhados em milhares de cafés, bares e outro tipo de casas por todo o país. Eu próprio não fazia ideia da dimensão daquela realidade. Bem como o facto de o material usado para jogar Texas Hold'em que estava à venda estar nas mesmas circunstâncias. Respondendo mais directamente à 2ª pergunta se estivesse a editar novamente, admito que poderia ter deixado mais clara a distinção entre o vídeo poker e o texas hold'em, mas naquele contexto da reportagem, que era 'aos olhos da lei', poker é poker. Não há distinção.


Pergunta por Arise

Boas André, Quando vieram ter connosco nas Bahamas nunca rejeitamos ajudar no vosso trabalho, estando sempre disponíveis para responder às vossas perguntas e deixando mesmo entrar nos nossos quartos para fazerem o vosso trabalho. Não sei se fazes ideia mas o que vocês trouxeram "cá para fora" só ajudou a denegrir a nossa imagem junto da sociedade e da nossa família. Tanto eu como o Palma ou o Dattani falámos muito mais do que aquilo que aparece na reportagem, vocês usaram apenas o que vos interessava para nos fazer passar por viciados no jogo. Gostava de saber qual era o vosso objectivo inicial nesta entrevista, porque nas Bahamas disseram-nos que iam fazer uma coisa sobre poker, mas na realidade fizeram uma reportagem sobre vicio do jogo em que misturaram tudo e meteram tudo no mesmo saco... É por coisas como estas que perco cada vez mais a vontade de falar com os media. Resumindo gostava de saber qual era o vosso objectivo principal neste trabalho quando se deslocaram às bahamas.
Resposta

Olá Rui. O nosso objectivo foi, desde o inicio, tentar mostrar todos os lados do poker (e não apenas o texas hold'em), se é que isso é possível em 38 minutos de televisão. Sem preconceitos ou juizos de valor. E o trabalho era sobre o poker num sentido vasto, porque assim como há milhares de jogadores de texas hold'em também há milhares de jogadores de video poker, omaha, etc. Quisemos ir ao PCA para ver e mostrar a vertente máxima dos jogadores profissionais ou de quem leva o poker mais ao limite, como acredito que é o vosso caso. Onde os buy-ins são altos, mas os prémios também. Vocês nunca foram retratados como 'viciados'. Nem nunca foi essa a intenção. Em momento algum algum. Vocês decidiram optar pelo poker. Isso está claro. Estão a ter bons resultados. Isto está lá claro. Para fazer o que vocês fazem é preciso coragem e muito tempo, empenho e esforço. Isto está claro, sobretudo pelo que diz o António Palma. Vocês levam a competição ao limite. Isso está também claro e o facto de ficarem a jogar online nos torneios todos os dias até bastante tarde penso que reconheces que foi essa a realidade que nós vimos enquanto lá estivemos. Quanto à imagem que transparece, em relação ao vosso caso concreto eu tive feedback no sentido inverso. Colegas, amigos e conhecidos que acharam que a vossa opção pelo poker foi inteligente e até me perguntaram como se consegue fazer vida assim. Para rematar, a reportagem, como já referi em respostas anteriores, nunca foi sobre o vício, mas não podemos ignorar que há casos. Dos 38 minutos, apenas 8 ou 9 são dedicados à questão do vício. E há vários jogadores profissionais que na reportagem alertam para esse facto numa perspectiva construtiva.


Pergunta por FreeLancerZ

Viva. Eu sou o Michel que entrevistaste nas Bahamas. Costumas omitir sempre o propósito das tuas reportagens? Para que foi tanta pergunta acerca das estatísticas e de como estudávamos o jogo se o objectivo da reportagem era este?
Resposta

Olá Michel. Eu nunca omiti o propósito da reportagem, mas que fique claro que a reportagem não tinha um propósito especifico. Sempre disse a todos os intervenientes que era sobre poker. Ponto final. E para um público generalista e não para jogadores de poker. Perguntar-vos sobre os vossos métodos de trabalho e de estudo era apenas para perceber que tipo de jogadores ou profissionais vocês eram e qual o vosso grau de empenho. E percebi rapidamente que o que vocês fazem é a sério e isso está claro na reportagem. Sobre a parte em que vocês aparecem podemos discutir frase por frase o texto da reportagem. Agora como é óbvio, em qualquer reportagem, nunca se mete na integra o conteúdo de uma entrevista.


Pergunta por xika PokerPT

Obrigada André pela disponibilidade! Queres deixar alguma mensagem à Comunidade PokerPT.com?
Resposta

Por fim, gostava de agradecer à PokerPT.com o convite para participar neste Heads-Up e aos membros do forum por terem enviado as perguntas. Gostava de deixar uma coisa clara. Muitos membros daqui dizem que a reportagem foi sobre o vicio, etc. Gostava só de sublinhar que dos 38 minutos que a reportagem tem, apenas 8 ou 9 são sobre os casos do vicio associado ao poker. Os outros 29 ou 30 são sobre o resto, e as pessoas parecem esquecer-se disso. Sobre o fenómeno, sobre os jogadores, sobre os torneios lá fora, sobre a competição levada ao limite por alguns jogadores, sobre a necessidade ou o alerta de mudar a lei feito pelo Jomané e o que querem os casinos (e não tenham dúvidas que eles querem controlar todo o poker que se joga cá, online e ao vivo), sobre os fenómenos nas faculdades, sobre o 'absurdo' de não se poderem vender fichas e não se poder jogar online cá. E também, não podia deixar de mostrar uma realidade que eu conheci de muito perto. E ainda bem que a conheci. Para este trabalho tive o PREVILÉGIO de conhecer 2 pessoas que estão em recuperação do poker online. Uma delas também jogava nos Solverde. E são pessoas que ficaram com a vida num farrapo por causa disso. Podia ter sido outra coisa qualquer? Podia. Mas foi o poker. E estas duas pessoas (um estudante, a outra, director de uma empresa) tiveram a humildade e chegaram a um grau de desespero em que tiveram mesmo de pedir ajuda. E há também o caso do senhor de 68 anos que nos ultimos anos estava 'agarrado' ao video poker e não saía do casino. Eu fui a reuniões dos jogadores anónimos (devidamente identificado) e digo-vos que é a uma experiência que não se esquece. E aprendi uma coisa. Jogo é jogo. Seja ele qual for. Cabe a cada um perceber em que patamar está. E mais uma vez refiro que o nosso trabalho foi mostrar todos os lados que conseguiamos mostrar sobre o poker. E conseguimos mostrar vários, alguns que até alguns membros aqui do forum desconheciam por completo, pelos comentários que li. E acho que só por isso valeu a pena. Cada um interpreta a reportagem como quer. Obrigado a todos.