Implied Odds
Para quem joga Limit, é preciso perceber que NL tem uma lógica de jogo totalmente diferente, no que concerne aos seus fundamentos. Uma das razões, provavelmente a mais forte, é as implied odds.
Em Limit as apostas são fixas (apesar de na 4º e 5º street serem maiores que no pre-flop e flop, o tamanho do pot é controlado), já em NL passa-se algo diferente, o pot escala de uma forma muito mais geométrica. Apesar de não haver limite na quantia que se pode apostar, quase sempre as apostas são proporcionais ao tamanho do pot, ou seja, ele escala desde o pré-flop. Vou tentar ilustrar isso com um exemplo:
O raise de abertura normalmente ronda as 4BB, deixando 8BB no pot caso este seja disputado entre apenas duas pessoas. No flop é muito normal apostar-se o pot - 8BB. Temos já 24BB no turn após um call. No turn já não é tão frequente a aposta ser do tamanho do pot, mas algo parecido com 2/3 do pot, 16BB por exemplo; temos agora 56BB no river, e, caso haja uma aposta no river, o pot vai ainda ficar maior. Vale a pena notar que um buy-in, geralmente, são 100BB, e uma pseudo-mão exemplo, em que nem sequer há re-raises, mas somente bet/call, e check check no river, já dá um pot parecido com 56BB. 0.5/1 NL ou 1/2 NL são jogos extremamente maiores que 0.5/1 Limit e 1/2 Limit, e asseguro que não só o volume de dinheiro envolvido é bem maior, mas o skill aos mesmos níveis também não tem correspondência directa (faz todo o sentido).
Este fenómeno faz com que a importância das pot-odds (algo com peso religioso em Limit) decresça imenso em detrimento das implied odds. Bem, e então o que são essas implied odds? Na verdade elas também estão presentes em Limit, ainda que algumas pessoas possam não pensar nelas com consciência disso, no mínimo intuitivamente fazem uso desse conceito. Quando estão a jogar uma mão em Limit, certamente deparam-se com draws no flop para os quais poderão não necessariamente ter pot odds para fazer call, mas se a carta vier.. bem, esta aposta não vai ser a última do pot, nas streets seguintes o pot vai crescer ainda, e podem estimar em quanto irá estar o pot quando se chegar ao river, podendo fazer com que call seja o mais correcto. Implied odds são isso mesmo, em vez de nos basearmos no valor actual do pot e considerarmos as nossas odds de sair o draw e a quantia de que temos que fazer call, calculamos que tamanho de pot seria preciso para termos pot odds para o nosso draw, e avaliamos se é razoável pensar que vamos conseguir extrair do(s) adversário(s) o $ que falta, caso o draw venha.
Por exemplo, estamos com um pot de $12 no flop, eu tenho um flush draw e estou somente contra um adversário. Ele aposta $14, uma bet acima do tamanho do pot; Neste momento isso deixa-me a ter que fazer call de $14 estando o pot em $26. Claramente não tenho pot-odds para um flush draw. Se um flush vem +- 19% das vezes (na próxima carta), e o call é de $14, precisaria de um pot de $74 para “break-even”. Agora temos que pensar se é razoável o nosso adversário “pagar-nos” o $ que falta no pot - Estando ele em $26, faltam-nos $74-$26 = $48.
Num cenário de exemplo, com um jogador pouco disciplinado, vamos pensar que ele tem 2 pares ou um set (estava a overbet o pot), se o meu flush vier na próxima carta, o pot vai ser $40, e é provável que ele aposte de novo (mas vamos assumir que ele é um jogador weak e vai fazer check). Sendo ele pouco disciplinado, e com 2 pares ou um set, é provável que faça call a uma posta de $30 (pois tem outs para uma fullhouse e não pode estar seguro que temos o flush). Se o river for uma blank, o pot vai estar em $100, se apostarem forte de novo já é mais provável ele fazer fold, mas se apostarem algo como $40 o vosso adversário vai ter um call de $40 para um pot de $140 (qualquer coisa acima de $18 neste cenário já apresenta lucro). Um fold difícil para jogadores indisciplinados (a maioria em mid-stakes).
Slow-Play
Ok, então no flop veio uma mão bastante forte. A vossa preocupação num caso destes deve ser como conseguir fazer escalar o pot o máximo possível. A melhor forma então de o fazer é, 99,9% das vezes, apostar. Eu sei que pode ser muito desagradável ou frustrante ter uma mão tão boa, e ver toda a gente fazer fold e levarem as blinds ou pouco mais, mas é o correcto e a única coisa que faz lógica, pelo que vou explicar de seguida:
Para ganharem muito com a mão o pot vai ter que escalar, e para tal acontecer alguém tem que ter um tipo de mão com que façam call, ou melhor ainda, raise. A questão resume-se a isto: ou o adversário tem uma mão razoável ou um draw, e não vai fazer fold a uma aposta no flop, ou não tem nada. Se ele tiver uma mão vocês estão a perder dinheiro por não ter apostado visto que, quanto mais cedo começarem a construir o pot, mais ele vai escalar. Em troca, o que recebem é, nos casos em que ninguém tenha nada no flop, possam acabar por fazer calls mais tarde na mão. Mas apenas vão extrair mais algumas BB. Afinal, que tipos de mãos podem eles apanhar pelo caminho que acabem por vos dar muita acção? As únicas situações em que alguém tem uma mão que no flop faria fold, e depois no river acaba por dar muita acção é quando alguém apanha runners para um straight ou flush e a vossa mão aí já está a perder. Basicamente, fazendo slow-play, poderão ganhar nas vezes em que ninguém tinha nada, mais algumas BB, mas estão a perder a oportunidade de ganhar muito mais quando alguém tem uma mão decente. Para além disso estão a dar free cards e correm o risco de se verem encurralados no river contra alguém que apanhou backdoor straight ou flush e perdem uma quantia significativa. E acabam por estar também a perder dinheiro para qualquer draw com que pudessem ter feito call no flop.
Para além destes pontos ainda existe outro contra o slow-play. Fazer slowplay dá demasiada informação sobre a vossa mão; A partir do momento em que dão o vosso “golpe” no pot, os outros jogadores percebem que fizeram slowplay de algo no flop, e o range de mãos que vocês podem ter fica imediatamente muito restrito. Para além do mais, depois é facil imaginar que tipo de mão possam ter, e nunca vão ser bem pagos por ela, para ilustrar com exemplos:
A board vem 

, vocês têm 
- flop de straight flush. Caso não apostem estão a perder dinheiro para alguém que pudesse ter o
(As de espadas), que certamente pagaria para procurar uma 4º espada e, se ela vier de graça, o pot está mais pequeno. Não podem esperar que num pot de 6BB por exemplo, alguém acabe por fazer call ao vosso all-in de 100BB mesmo tendo o As. Eu não o faria, assim como outros jogadores decentes também não. Em contrapartida, se vierem a apostar no flop, o As não vai fazer fold e pode ser que até ao river essa 4º espada venha. Se não vier ganharam dinheiro que ele pagou para o draw, se vier estão agora, provavelmente, diante um pot de, no mínimo, umas 20-40BB e podem fazer algum tipo de aposta que pareça uma blocking bet - algo que alguém sem o As faça call na mesma, tipo um set ou 2 pares ou um flush
ou inferior, não desperdiçando assim uma value bet - mas algo que alguém com o As vá fazer all-in, ou pelo menos raise. Neste momento, se vocês forem all-in, ele já não vai largar pois já está uma quantia grande de dinheiro no pot e o fold já não faz sentido. Agora, se imaginarem o mesmo cenário mas, em vez de contra alguém com o As de espadas, contra alguém com um set ou 2 pares. Essa pessoa não vai fazer fold no flop e, sendo assim, vão conseguir value bets até ao river provavelmente. Caso aconteça ele melhorar para uma full-house, estão a jogar um pot já maior e vão, muito provavelmente, conseguir o all-in desejado.
Podia dar também falar de um Four Of A Kind, por exemplo, mas a lógica é a mesma que o de cima. Vou, então, ilustrar uma situação mais comum de slowplay. Imaginem que o flop veio 

, com flush draw, e vocês têm 
na mão. Nunca vão conseguir ganhar muito dinheiro fazendo slowplay pois mesmo que dêem freecards e venha o flush, a pessoa com o flush não vai acabar all-in com vocês, nem nunca vão conseguir muita acção por outra mão que não o flush/9. Em contrapartida, se apostarem logo, caso alguém tenha o 9, começam logo a construir um pot maior e, caso o kicker do 9 deles apareça e eles melhorem para uma full-house, vão estar provavelmente numa situação em que o pot é suficientemente grande para esse jogador acabar all-in com vocês. Se estiverem a jogar contra o flush a mesma coisa, ele se tem o draw não vai largar no flop e, quando ele vier, apesar de esse jogador estar consciente que não tem as nuts, está a jogar um pot muito maior e o raise dele vai compromete-lo com a mão.
Eu sei que quando acontece ninguém ter nada e fazerem todos fold, fica sempre aquele sentimento de que poderiam ter extraído mais algum dinheiro da mão jogando-a mais devagar, mas ía ser pouco mais sempre, a não ser que o adversário apanhasse runners para uma mão melhor que a vossa e aí iam perder bastante. Devem lutar contra esse sentimento, porque é falso, assim como lutam contra a vontade de jogar mãos más pre-flop, ou contra o sentimento de tilt.
Como a todas as “regras”, poderá haver excepções pontuais e, neste caso do slowplay, extremamente pontuais. Se os factores que vocês consideram na linha de pensamento forem suficientes e suficientemente complexos para conseguir identificar essas situações e o porquê disso, não deviam estar a ler isto.
Table Dynamics
A dinâmica da mesa passa pelo conjunto de tudo o que se passou na mesa nas últimas órbitas, tais como as mãos que foram jogadas e como, a acção que os jogadores tiveram, todo o contexto da mesa e das mãos, e também um conjunto de factores psicológicos. É difícil ilustrar isto sem exemplos específicos, por exemplo: um jogador que nas últimas mãos que jogou, teve que fazer fold de mãos que gostava, porque aparentemente foi outdrawn, ou mãos em que ele tenha demonstrado força como 2 pares ou top pair top kicker em raised pots (AK por exemplo), mas tenha encontrado acção forte demais (digamos que possivelmente estava contra um set), e tenha acabado por ter que fazer fold. Um jogador nestas condições está um pouco frustrado, talvez sinta que está a ser runned over, e está muito mais inclinado a querer ver um showdown na próxima mão grande que jogar do que estaria antes. De acordo com isso vocês podem ajustar o jogo a isso, não tentado fazer-lhe bluff, mas fazendo value bets maiores, caso tenham uma mão boa, ganhando assim mais.
Outro exemplo muito corrente seria o caso em que, numa mesa em que tive uma onda de mãos boas pre-flop e fiz, portanto, raise pre-flop várias vezes e continuation bet no flop mas não chegou a haver showdown, vou, durante duas ou três órbitas, restringir um pouco mais o range de mãos com que faço raise, já que a mesa poderá, provavelmente, estar a notar a vossa “onda” de raises pré-flop (não se esqueçam que eles não sabem se tinham realmente mãos ou não, por isso fica a suspeita sempre), e estar a reagir a isso e ajustar de acordo, fazendo com que seja muito mais difícil, por exemplo, fazerem raise com AT ou suited connectors, falhar o flop, e conseguir um fold pela continuation bet. O mesmo se passa ao contrário. Numa mesa em que não tenha tido mãos por algum tempo, vou alargar um pouco mais as mãos com que faria raise, porque a minha imagem de momento deve estar como tight, e a probabilidade de conseguir um fold no flop ou no turn, mesmo não tendo nada, aumenta.
Este tema é subjectivo demais à situação/contexto para poder ser descrito melhor, mas o importante é começarem a tomar atenção a toda essa dinâmica da mesa; mãos jogadas na última ronda; as mãos que jogaram anteriormente com a pessoa com quem estão envolvidos no pot agora. A vossa imagem do momento (e aqui não me refiro a se os outros jogadores vos conhecem como o modelo A ou B, ou vocês os conhecem com o modelo X, mas sim únicamente aos eventos recentes na mesa, se jogaram muitas mãos, ou se fizeram call de muitos raises, se fizeram raise pré-flop muitas vezes, ganharam muitos pots sem showdown etc), é uma imagem mais volátil e de mais curto prazo, digamos assim.
Fazer esse dinamismo entrar no processo de decisão, tomar esses factores em consideração e fazer ajustes a eles é bastante importante, e, apesar de poderem pensar que este é aquele tipo de coisas que é só a nível teórico mas na prática não se traduz em muito, é mentira, pois noto que é uma parte muito significativa da minha linha de pensamento e reconheço ser muito importante esse tipo de ajustes. No fundo poker é um jogo de adaptação. Algo seguramente a começarem a dar maior importância e estar mais conscientes, se ainda não estão.
Focar no jogo do adversário e não no nosso
Muitas vezes é discutido qual é a melhor forma de jogar, se é tight-agressive, loose-agressive, etc.. Provavelmente a resposta mais ouvida a todas as perguntas de poker, é que é relativo e depende, e esta não é uma excepção.
Aqui vale a pena realçar a importância de, quando estiverem a jogar, não estarem preocupados com o vosso jogo, de modo a tentar construir um jogo tight-agressive ou qualquer outro modelo, a pensar no que um jogador desse modelo faria, para assim 'imitarem', etc., pois é um erro que vejo muitas pessoas a cometer. A vossa atenção deve estar voltada para os outros jogadores. A primeira preocupação quando se sentam na mesa deve ser terem uma ideia de em que modelo cada jogador encaixa, quem são as rocks; quem são os fish; os loose-agressive; maniacs; tight-agressive; calling stations. Geralmente o que faço, quando me sento numa mesa, é jogar ABC Poker, tight, sem fancy plays, apostar as minhas mãos, até conseguir encaixar o resto das pessoas nalgum tipo de modelo.
O correcto, ou a forma óptima de jogar depois disso, não é praticarem um tipo qualquer de modelo de jogo, mas ajustarem-se da melhor forma ao adversário(s) com quem estão a jogar a mão. Por exemplo: se estão contra uma calling station, mesmo estando fora de posição, o risco de indicar fraqueza com um check não é tão grande, já que estes jogadores tendem a ser passivos, e podem também espremer mais value bets que, contra outros jogadores, seriam contra-indicadas. Para ilustrar isto de uma forma mais concreta imaginemos que estou contra uma calling station com 
e tenho top pair. É muito mais frequente eu fazer bet todas as streets, do que contra um jogador a quem eu dê mais crédito, em que faria bet, check check turn, bet river, ou bet bet check. Tendo isso em conta, a frequência com que tentam fazer bluff a este jogador também deve ser extremamente mais baixa. Por outro lado, se estão contra maniacs ou jogadores muito agressivos, têm que considerar que as implied odds sobem bastante, pois o pot vai certamente escalar até ao river, e poderão mais facilmente fazer uso de jogadas que induzam o bluff quando têm algo com que querem fazer call/raise, ou fazer maior uso do check-raise.
Mas ilustrar todos os possíveis casos e possíveis ajustes que possam fazer ao vosso jogo não é aqui o objectivo, mas sim lembrar que a atitude a ter numa mesa é a de estar atento aos outros jogadores e à forma como estão a jogar, e ver como isso se reflecte em todos os conceitos que Poker envolve, e tentar jogar de forma óptima contra esses jogadores.
Isto fica quanto mais importante, quão mais altos são os stakes que estão a jogar, pois, à medida que se vai subindo, o número de jogadores que representam “dinheiro fácil” numa mesa vai escasseando, e fica cada vez mais importante identificar os piores jogadores, ou as falhas nos modelos dos adversários que estão a jogar com vocês e explorá-las o mais selectivo e optimizado possível.
Reverse Implied Odds
Não estou com paciência para escrever muito sobre isto. Quem percebeu o significado de Implied Odds como sendo a estimativa do $ que acham que conseguem ganhar com a mão, caso a façam, consegue facilmente perceber que Reverse Implied Odds é, basicamente, o oposto. Quando têm um draw qualquer, mas não para as nuts, é a quantidade de dinheiro que estimam poder perder caso a vossa mão venha, fazendo com que em diversas situações, mesmo tendo pot-odds, se proceda com cautela ou mesmo não proceder de todo.
Imaginem que têm um Open Ended numa board que já está 3 para um Flush. Não só algumas das vossas outs farão da board 4 para um Flush, como podem já estar contra um flush feito, e acabar por perder bastante dinheiro na mão. Perdem no draw e perdem depois de o fazer. Outro exemplo: no caso em que uma board vem 

e vocês têm 
, estão Open Ended, mas não só não é para o Nut-Straight, como podem já estar contra um Straight maior. Além disso, metade dos vossos outs (a
), faz com que falte só uma carta na board para se ter um Straight (o J). Esse tipo de boards raramente são pagas.
Fica só o aviso para considerarem todas essas coisas quando estão a fazer um draw.
Fold e Pot Equity
Pot Equity - Pot Equity é a percentagem de vezes que a vossa mão vai ganhar o pot, se ninguém fizer Fold até ao River. O mais comum não é uma mão já estar segura de que vai ganhar, mas sim uma mão estar à frente em determinado ponto, e as outras envolvidas terem um X número de outs para fazer uma mão melhor. Por exemplo nesta mão particular:
Jogador 1 - 
Jogador 2 - 
Jogador 3 - 
Flop vem: 

O jogador 2 está à frente com um set de
's, mas o Jogador 1 tem 12 outs para fazer a melhor mão (na verdade só tem 11, pois o
não o vai ajudar ja que daria Four Of A Kind ao Jogador 3). Mas Pot Equity não é igual à percentagem de vezes que os vossos outs saiem, mas sim a percentagem de vezes que vão ganhar a mão. Neste caso específico teria que sair uma das 11 outs que o Jogador 1 tem, MAS não poderia sair nenhuma carta que desse uma Full House ao Jogador 2, ou Four Of A Kind ao Jogador 3. Sendo, assim, um valor ligeiramente mais baixo que a percentagem de vezes que o draw vem.
Isto significa que, se estão 3 pessoas envolvidas num pot, a Pot Equity de cada um, "justa", é de 33,3%. Ou seja, se cada um dos jogadores tivesse 1/3 de probabilidade de ganhar e jogassem muitas vezes, acabavam com o mesmo dinheiro. Isto é interessante quando a vossa percentagem de Pot Equity é superior à parte "justa" que vos caberia. No nosso exemplo o Jogador 1 tem cerca de 40% de Pot Equity, ou seja, ele vai ganhar a mão 40% das vezes, mas a mão está a ser jogada por 3 pessoas, logo qualquer valor de Pot Equity acima de 33% é lucro já.
Apesar de o Jogador 1 ir ganhar aquele pot uma minoria das vezes, o correcto é ele não largar a mão se a acção for 3 way, aliás, interessa-lhe que os outros dois jogadores ponham o máximo de dinheiro possível naquele pot, naquele Flop.
Um erro comum que é facilmente observado é os jogadores acharem que só devem apostar mãos que vão ganhar mais que 50% das vezes.
Outro aspecto que vale a pena referenciar é que, por exemplo, podem estar a jogar uma mão Heads-Up contra alguém e, depois de vir o Flop, só terem 40% de Pot-Equity. Sendo Heads-Up deveria ser necessário 50%+ para que levar a mão até ao River seja lucrativo, mas o volume do dinheiro já contido no pot pode fazer com que seja correcto jogar a mão.
Fold Equity – Isto é um conceito fundamental no Poker, visto ser um jogo de informação incompleta. Equity traduz-se aqui por “valor”, valor ganho quando o adversário faz Fold de uma mão melhor. O que se passa é que as decisões que vocês tomam não têm base na mão do adversário (pois não temos essa informação), mas num “range” de mãos em que o colocam (ex: o adversário é muito Tight e fez Raise Pre-Flop UTG, vocês não sabem o que ele tem, mas colocam-no à partida num range como 
-
, 
e 
). Esse range vai sendo ajustado à medida que ganham mais informação (com as acções do adversário Post-Flop), e vão considerá-lo quando estiverem a tomar uma decisão. Vou ilustrar este conceito (é complicado explicar sem exemplos) numa mão que joguei à imenso tempo atrás:
Hero ($199.10)
CO ($128.65)
Button ($182.20)
SB ($155.95)
BB ($159.25)
UTG ($240.55)
Preflop: Hero is MP with 
.
UTG calls $2, Hero raises to $8, CO calls $8, 1 fold, SB raises to $14, 1 fold, UTG folds, Hero calls $6, CO calls $6.
Flop: ($46): 

SB bets $28, Hero raises to $185.1, CO folds, SB folds.
Final Pot: $259.10
Nesta mão, quando a SB faz re-raise out of position, vou colocá-lo em algo entre 
- 
, e 
. Agora ele leads $28 num pot de $40 (algo relativamente weak). Se eu pensar no valor da minha mão contra cada uma das mãos que integram o Hand-Range em que o coloquei temos algo do género:
AA – Se ele tiver AA sei à partida que não tem nenhum club, e que tem somente um par numa board feia para a mão dele, e eu tenho 12 outs para ganhar a mão.
KK – Ele tem uma mão apenas beat pelo Flush, tenho 12 outs para ganhar.
QQ – Se tiver um club, é apenas Q high, e a board tem uma overcard. Tenho 15 outs para ganhar.
JJ – Circunstancias idênticas a QQ, mas tenho agora mais 3 outs (18.).
TT – Podemos considerar como cenário idêntico a KK (pois ele não me vai dar crédito por KKK).
AK – Tem top pair top kicker, mas não tem nenhum club. Tenho 12 outs para ganhar.
Contra este range de mãos, eu sou um favorito contra JJ e QQ. Estou atrás contra AK TT KK e AA. Vamos olhar para dois casos específicos, AA e AK. Contra estas duas mãos eu tenho 12 outs, o que me dá 45% de probabilidade de hit. Visto que estavam no flop $46 e ele tinha $140 de fora, eu teria que chamar (caso fossemos All-In) $140 para ganhar $186, o que me dá pot odds e um EV de $6,7 na mão. Agora se eu for All-In depois da bet de $28 dele, ele vai estar numa situação em que é muito díficil fazer Call, e quanto mais vezes ele fizer fold, mais o meu EV na mão vai subir (se ele fizer fold sempre, vai ser $68.), e eu estou a ganhar valor nisso (Fold Equity).
Se analisarmos o cenário completo, contra a hand-range toda do adversário, contra a maioria das mãos dele eu sou favorito ou tenho pot-odds, e as duas em que isso não acontece (KK e TT), estou só a perder ligeiramente em termos de $, mas se eu ao ir all-in conseguir que ele faça fold de uma fatia desse hand-range (e o JJ e QQ são folds prováveis, AK e AA também é razoável pensar que ele vai fazer fold um número decente de vezes), isso faz com que ir all-in face à bet dele seja a jogada que apresenta mais EV, pois ganhamos valor sempre que ele fizer fold.
Outro exemplo.. vocês fazem raise late position com JTh, a BB faz call, board vem 37Q, com 2 hearts. Não só o adversário é provável não ter nada (um jogador só apanha um par no flop à volta de 35% das vezes), como vocês têm outs. Se jogarem a mão de forma agressiva, não só vão conseguir que o adversário faça fold quando não tem nada (mas podia ter algo melhor que vocês de momento, Ace high ou K high), como provavelmente vão conseguir levar o pot quando ele tem algo marginal (pocket pair's abaixo da Q, o par de 3's ou 7's), e caso ele faça call, ainda têm outs.
Dissimulação e apostar os draws
Agora que já falámos de Fold Equity, é fácil de perceber porque é que ser agressivo com um draw é geralmente boa ideia, especialmente no flop (quando o pot é mais pequeno, fazer um raise grande ou apostar o pot sai mais barato). O ponto é que o adversário vai precisar de uma mão boa para acompanhar, e a maioria das vezes não a vai ter e vai largar mãos melhores que a vossa.
Mas as vantagens de apostar um draw ou fazer raise com ele não se resumem ao valor que se ganha quando o adversário faz fold; Existe um valor acrescido de dissimulação (é mais difícil ao adversário colocar-vos no draw quando o jogam agressivamente do que quando jogam passivamente com check-call). Isso é postivo pois quando completarem o vosso draw é mais provável conseguirem ser pagos, ou mais bem pagos. Outra vantagem é a de construírem um pot maior, se somarmos a dissimulação que se ganha, com o pot ser maior, quando o draw vier vão colocar o adversário numa decisão difícil e por muito mais $ do que se o pot fosse pequeno.
Por um lado vão estar a investir mais dinheiro em draws se os jogarem agressivamente do que investiriam se os jogassem passivamente, mas não só vão conseguir levar bastantes pots sem um showdown, como vão ter um pot maior nas vezes em que o draw vem, logo quando forem pagos são pagos mais $ (visto as bets serem proporcionais ao pot).
É importante, quando se joga este tipo de “power poker”, considerar o tamanho da stack do adversário pois regra geral se o adversário tiver uma stack muito pequena, é melhor tentar o draw pelo preço mais barato possível pois sempre que abrirem o betting round de novo arriscam-se ao adversário ir all-in, e as implied odds são muito mais fracas também.
Betting
Este é o tema mais complexo, pois escolher a acção a tomar envolve considerar uma série de factores, e joga com todos os conceitos acerca do jogo. Mas vamos começar por salientar um erro muito comum: Regra de ouro: a unidade de medida é o pot (isto é MUITO importante).
Não quer dizer que sempre que vão apostar têm que apostar o pot, mas quer dizer que a quantia que vão apostar tem que ser medida face ao tamanho do pot.
Para começar vamos ver os diferentes propósitos pelos quais se pode apostar:
Value bet
Bluff
Recolher informação
Proteger a mão
Ganhar “controlo” sobre a mão
Uma “Value bet” é uma bet cujo objectivo é o adversário fazer call com uma mão inferior, basicamente uma bet que quando a fazem pensam estar à frente, e que esperam o adversário fazer call e muck ou fold. Bluff é o oposto, uma bet que se faz pensando estar atrás na mão, cujo objectivo é levar o adversário a fazer fold.
Proteger a mão é uma bet que se faz em boards com draws, é uma extensão da value bet cuja finalidade é fazer os draws pagarem acima das pot-odds que têm, extraindo assim valor.
Bet para recolher informação é fácil de perceber, em determinados casos não sabemos muito bem onde nos encontramos na mão e colocar o adversário perante uma bet ou um raise vai-nos fornecer mais informação. Geralmente o flop é o sítio ideal para tentar recolher mais informação pois o pot ainda se encontra pequeno e pode-se fazer isso mais barato. Bet com o único intuito de recolher informação é algo que não se deve praticar pois tem EV-. Basicamente se fizerem raise para saber onde se encontram, ou o adversário faz call/re-raise e sabem que se encontram atrás e acabarem de perder mais dinheiro, ou o adversário faz fold e não ganharam mais. Deve ser usado como uma extensão de outras funções, como value bet, proteger a mão, ou bluff.
Ganhar controlo sobre a mão é baseado no “princípio” de que as pessoas costumam fazer check para a última pessoa a fazer raise ou a colocar uma bet; Geralmente essa pessoa encontra-se em controlo da mão (isso pode trazer vantagens em determinadas situações, a maior parte das vezes um sítio bom para o fazer é pré-flop, ou raise em posição com draws).
Os conceitos mais importantes a controlar acerca do betting é quando controlar o tamanho do pot e quando tentar escalá-lo, identificar a textura da board, o que muda quando se joga contra deep-stacks ou short-stakcs, e o valor da posição.
Regra geral, em mãos marginais (um par – e isto inclui top pair, top pair top kicker, overpair.. não deixam de ser somente um par) é quando se tenta controlar o tamanho do pot, pois com este tipo de mãos não queremos jogar um pot grande (um pot em que vamos acabar all-in). Mesmo mãos mais fortes como 2 pares ou sets pode ser indicado controlar o pot caso a board venha muito coordenada (três cartas para um flush ou straight, ou algo mais subtil). Já as mãos em que queremos escalar o pot são as mãos mais fortes (sets, full-houses – quando são fortes, pois se a board vier 222 e tiverem 33 na mão, obviamente não é uma mão forte, straights quando são as nuts, etc etc).
Mãos marginais em boards sem draws 
Vamos começar com um exemplo de uma mão overplayed muito frequentemente: AK, em posição.
Fazem raise para 4BB de 
em late position, e o button e a BB fazem call. Flop vem:


BB check, agora o pot está em 12BB, e não há razão para não pensarem ter a melhor mão, como o pot é pequeno é uma situação em que é suposto apostarem o pot (12BB). O button faz fold e a SB faz call.
O turn vem:

A BB faz check. Nesta situação é muito provável estarem à frente (é uma daquelas situações em que estão muito à frente, o adversário tem o Às com kicker mais baixo e tem 3 outs. Ou estão muito atrás, o adversário tem já 2 pares ou um set.). O problema aqui é, como ganhar o máximo de dinheiro quando estão à frente, e perder o mínimo quando estão atrás.
Estando o pot em 36BB, se apostarem aqui deve ser algo como 2/3 do pot (24BB), mas o problema é que do conjunto de mãos que o adversário pode ter e vocês estão a ganhar, ele agora à segunda bet vai estar muito mais inclinado a dar-vos crédito por um Às forte (afinal fizeram raise pré-flop), e provavelmente vai largar qualquer par abaixo do Às ou mesmo um Às com kicker baixo. Agora se ele tiver uma mão mais forte, pode fazer check-raise, ou pode fazer call e lead o river, e vocês vão ter uma decisão díficil num pot grande.
Esta é uma situação ideal (muito à frente ou muito atrás) para controlar o tamanho do pot e fazer check no turn. Assim se o adversário tiver melhor, vai ser forçado a lead o river, pois não pode ter esperança que apostem o river tendo feito check no turn (e provavelmente não vai ser assim muito agressivo pois não vos tem numa mão muito boa). E vocês podem simplesmente fazer call (ou até decidir fazer fold, se acharem apropriado), e o pot no river estava somente em 36BB. Mas se estiverem à frente, ao fazer check no turn, um Às mais fraco vai pensar que tem a melhor mão, talvez lead o river e podem fazer call extraindo mais dinheiro (é provavel ele fazer fold no turn se apostarem de novo), ou ele pode fazer check (e assim podem sentir-se mais seguros da vossa mão, visto que se ele tivesse uma mão forte não iria tentar um check-raise no river depois de terem feito check no turn), e aí podem fazer uma aposta forte (estando o pot em 36BB), se apostarem 30BB por exemplo, qlqer Às pior que a vossa, ou mesmo mais baixo, vai estar agora muito mais inclinado a fazer call.
Na maioria dos casos esta linha nestas situações (muito à frente ou pouco atrás, em boards que a vossa mão não precisa de protecção pois n existem draws) é a que funciona melhor para extrairem o máximo de valor contra mãos piores e perder o menor valor contra mãos melhores.
Em relação à utilidade de ganhar controlo sobre a mão e recolher informação, vou dar agora um exemplo com AA:
Mesmo contexto, raise late position, 2 callers, flop vem:


A BB leads 12BB. Agora têm um problema, o jogador aparentemente está a tomar uma iniciativa agressiva, e vocês não sabem se estão à frente, ou se ele está com esperança que tenham overpair e quer construir um pot maior (espera que façam um raise). Se eu fizer somente call, e ele continuar a lead o turn e river, vou ter sempre decisões díficeis para tomar (não vou saber onde me encontro, e poderei não estar a retirar o valor máximo da mão).
Uma opção nestes casos é fazer raise no flop em que o pot ainda é pequeno, supostamente a minha mão é boa aqui (tanto quanto sei), portanto não só estou a fazer uma value bet como vou ganhar mais informação. Se eu definir a minha mão neste sítio, e der a entender ao adversário que gosto muito dela (mesmo que não goste), posso recolher mais informação acerca das acções dele.
O problema em fazer isto é que é preciso considerar o tamanho da stack do adversário para pensar a melhor maneira de jogar a mão. Se o adversário tiver uma stack pequena, digamos 50BB, vai ser muito díficil largar a mão quando ele toma esta linha (de lead o flop), pois não podem fazer fold à primeira bet, e qualquer raise vai-vos comprometer com a mão face à stack dele, assim como fazer call no turn também.
Um raise pot-size (o tamanho do pot calcula-se incluindo a bet que teriam que fazer call, por exemplo o pot está em 24BB quando chega a mim, mas eu tenho uma call de 12BB para fazer, então um raise pot size seria de 36BB), contra uma stack de 100BB vai criar um pot bastante grande se ele fizer call (84BB), e mesmo que façam check no turn para tentar controlar o pot, o all-in dele no river vai-vos dar um call de 60BB para um pot de 160BB (claro que se o jogador for tight podem sempre fazer fold mas é uma situação em que não quereria estar). Fazer somente call tem vários problemas, existe um terceiro jogador que querem por fora, ou ver o que ele faz (se fizerem só call e ele também fizer call, ficam sem saber onde se encontram contra 2 jogadores, mau sítio para se estar). Um raise para 28BB parece-me bem pois, não existe grande necessidade de proteger a mão por isso não têm que se preocupar com as pots odds que dão, dá informação face ao 3º jogador (se ele fizer cold call é sinal de perigo, o ideal é um fold), e em relação ao 1º jogador, devolve-vos o controlo sobre a mão. Assim, se o Button fizer fold, e a BB fizer check no turn, podem fazer também check e manter o pot em 72BB (o adversário ainda tem 66BB na stack). Quando chegar o river, caso o adversário tenha 2 pares ou um set, como fizeram check behind no turn, ele não vos tem em algo muito forte e é pouco provável ele lead all-in, assim vêm o showdown por um preço mais baixo. Se ele fizer check provavelmente estão à frente e podem fazer uma value bet de algo como 35BB.
Mas em NL uma stack de 100BB não é algo muito grande, quando se está a jogar deep stacked (por exemplo 200BB, a importancia de recolher informação e gerir o pot sobe ainda mais. Se nós e o nosso adversário tivesse uma stack de 200BB ou mais, o flop é um sítio obrigatório para ganhar informação. Sendo o raise pot size 36BB, eu algumas vezes (com alguns adversários) faço um raise acima disso (por exemplo 42BB), com o intuito de levar o meu adversário a crer que gosto muito da minha mão e quero ir all-in com ela (assim muitos jogadores se tiverem um set, vão all-in, e dão-me um escape à mão mais barato que se tivesse que jogar todas as streets). Quanto ao 3º jogador, ele vai estar perante uma bet e um raise acima do pot, tendo ele uma stack de 100BB's, basicamente ele não pode tomar nenhuma acção que não vos dê informação. Ou ele está à frente e vai all-in ou faz cold call e sabem que já não querem mais nada com esta mão, ou ele é um idiota. Se acharem que contra este adversário, esse “truque” de o induzir a ir all-in no flop com um set ou 2 pares não vai funcionar pois ele é mais “tricky” que isso, então vão ter que tratar a mão como uma mão muito marginal e jogá-la como acima, tentar controlar o pot o mais possível. (Se já é mau perder 100BB's com AA pós-flop, perder 200 é 2x pior).
De notar aqui que o facto de não termos posição sobre a mão (haver o button em jogo), complica a decisão de como jogar, pois ainda não sabemos o que ele faria (se call dos 12BB, se raise, se fold).
Mãos marginais em boards com draws
Este tipo de mãos tem problemas acrescidos pois a situação já não é tão simples como a anterior (muito à frente ou muito atrás), neste tipo de mãos podem estar muito à frente, muito atrás e pouco à frente. Principalmente o que muda é que, já não podem controlar o pot no turn pois estariam a perder valor em relação às mãos em que se encontram pouco à frente. Em vez de controlar o pot no turn, até o adversário vos provar o contrário, vão pensar que têm a melhor mão e ter que apostá-la (claro que no river não precisam de fazer value bet pois, um missed draw não vos vai fazer call). Em contrapartida, o risco do adversário estar a fazer slowplay também é mais baixo pois as pessoas tendem a fazer menos slowplay em boards com draws, devido à necessidade de proteger a mão.
Neste tipo de mãos só quero dar mais importância a um conjunto especial de mãos em que a maioria das pessoas cometem erros. São as situações em que vocês estão pouco à frente ou muito atrás.
Ex:

no button, fazem raise de 4BB, a SB e a BB fazem call. Flop vem:


ambos fazem check, vocês apostam 12BB. A SB faz call, a BB vai all-in (100BB).
Nesta situação, apesar de não saberem o que a SB vai fazer, não me preocuparia muito com ele (há a possibilidade de ele ter um set ou 2 pares maiores mas não só isso não é assim tão frequente, como ainda é menos visto ele não ter protegido a mão nesta board). O problema aqui é a SB, o pot estava em 36BB, e ele foi all-in com 96BB (agora têm call de 84BB para um pot de 132BB). O adversário ou está a fazer semi-bluff, ou tem uma mão feita melhor que a vossa (quaisquer 2 pares são maiores, e um set). Mesmo que considerem que o adversário pudesse fazer isso com 
, essa é a unica mão feita que ele vai ter que vocês estão à frente. Vamos ver este range e quantas vezes ganham contra cada uma das mãos:

: vão ganhar 74.5% das vezes.

: vão ganhar 9.1% das vezes

e 
AA: vão ganhar 0.1% das vezes

: vão ganhar 8.4% das vezes

: vão ganhar 8.2% das vezes
Agora em relação aos semi-bluff's, ele pode ter um range de mãos como

: vão ganhar 48% das vezes

: vão ganhar 46.5% das vezesno

: vão ganhar 55.3% das vezes

: vão ganhar 64% das vezes

: vão ganhar 67.2% das vezes
Isto apresenta um problema, se soubessem que ele está a fazer semi-bluff (mesmo que seja um favorito como no caso do 9Tc), face ao dead money no pot, seria correcto fazer call pois têm pot equity. Mas o problema é que quando ele tem uma made hand, quase todas as que ele pode ter esmaga-vos completamente. Como com a informação que ele nos dá não dá para distinguir entre o semi-bluff e uma made hand, são forçados a fazer fold, pois quando estão muito atrás (vs made hand) vão perder muito $, e quando estão à frente vs um bom draw vão ganhar pouco $. Claro que se o jogador particular com quem estão a jogar estiver com um frequência de bluff alta, vão ter que ajustar a hand-range (ele já não vai só fazer isto com um draw bom ou uma made hand).
Mãos marginais fora de posição
Fora de posição a selecção de mãos fortes pré-flop (contraposto a mãos especulativas tipo 67c ou 79h etc) deve ser bem mais apertada que em posição. Sendo assim, principalmente para jogadores mais inexperientes convém descartar mãos tipo KT, AT, contra raisers early e middle position. Se o raise for feito por um jogador em late position, que não é muito tight pode ser alargado um pouco, e com mãos fortes (por exemplo AQ ou AK) eu prefiro um número razoável de vezes fazer re-raise pre-flop.
Por exemplo, se alguém no CutOff (CO – Posição antes do button), ou no button fizer raise para 4BB e eu estiver nas blinds com AK ou AQ ou pocketpair's altos TT-AA, vou fazer re-raise pois não só há uma forte possibilidade de estar à frente, como ganho controlo sobre a mão. Quando vem o flop mesmo que não faça um par, ao ter ganho controlo sobre a mão quando apostar o pot no flop, ele não só não vai ter tanto espaço para fazer plays pois eu mostrei força pré-flop, como possivelmente vai fazer fold de mãos que eu estou atrás (pocket pairs baixos, talvez AK quando eu tenho AQ ou AJ, etc).
Quanto ao post flop, se tiver uma mão marginal em que fiz somente call pré-flop (por exemplo QK em que a board vem Q ou K high, pocket-pairs médios em que não fiz set mas veio uma overcard). Nestes casos estamos sempre numa posição díficil para jogar a mão. Geralmente faço lead, se for um jogador muito tight que faça call ou raise, vou largar a mão ou call/check. Quando é um jogador agressivo que usa a posição, e por exemplo se eu lead com 88 numa board 27Q, e ele fizer raise (especialmente se houver flush draws na board), uma opção boa é fazer call, e se o turn for uma blank, lead com uma bet de novo (2/3 do pot) caso haja draws, ou se não houver muita necessidade de proteger a mão, check/call (de novo, isto só deve ser feito com base no adversário. Se pensarem que ele vai estar a fazer bluff aqui um número suficiente de vezes para ser EV+). Lead no turn quando há draws acho que é uma forma em que controlo minimamente o tamanho do pot e também me dá a informação que preciso pois, se ele não tiver uma mão forte é difícil voltar a fazer raise, e caso eu faça check no river é provável que ele também o faça com algo marginal. E se ele estava semi-bluffing no flop, agora que só falta uma carta e o draw ainda não veio, sendo as probabilidades de ele o completar mais baixas, é muito pouco usual voltarem a fazer raise.
Supostamente eu devia continuar a exemplificar casos destes exaustivamente nesta secção, mas não estou satisfeito como a forma como está a ficar. Nunca vou poder cobrir todo o tipo de situações possíveis, e cada situação tem que ser adaptada ao adversário.
Acho que o melhor que se pode fazer neste tópico é, tentar passar ao máximo alguns dos conceitos importantes a considerar quando se pensa na linha a usar para jogar a mão (Pot control, a forma de pensar acerca das mãos e do EV, etc), e depois discutir casos específicos no fórum.
C00L Kid
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