A regulamentação do poker online

6 de Fevereiro de 2012 às 02:51
Comentários 14


A regulamentação do jogo online é um tema que tem vindo a ser cada vez mais discutido em Portugal.
Contagiados pelas alterações legislativas efectuadas pela Europa fora, mas acima de tudo, em Espanha, o assunto começou a ser discutido com mais fulgor, deixando-se prever que mais dia menos dia (mais ano, menos ano…) vai chegar a vez de Portugal fazer modificações nas leis existentes, que são muito pouco actuais e adaptadas à realidade.

Vou lendo várias opiniões sobre o assunto e tento estar a par do desenrolar dos acontecimentos. E claro tenho a minha opinião.

Idealmente, adorava ver o jogo online regulamentado, toda a actividade devidamente prevista, saída da indefinição, tanto no que respeita à lei do jogo, como no que respeita à lei fiscal. Com regras que fossem racionais, que tivessem em conta os especiais aspectos que rodeiam este mundo e que considerassem a especificidade do poker.
Portanto, não tenho dúvidas que esta regulamentação seria muito bem-vinda se, por um lado, tivesse em conta que não é possível (da minha perspectiva claro) termos um mercado português fechado, porque não temos jogadores suficientes para só jogarmos uns contra os outros (nos vários limites e tipos de jogo que existem) e por outro lado, no que respeita à lei fiscal, se tivesse em consideração que não faz sentido tributar os rendimentos do poker sem ser no esquema de mais-valias, em que é considerado não só o que ganhamos mas também o que perdemos ao final de um determinado período.

Inerente estaria, claro, a percepção de que o poker não é meramente um jogo de sorte e azar, e que merece uma atenção e regras específicas comparativamente a outros jogos, os chamados “jogos de casino”.
Seria neste cenário que adoraria ver este assunto discutido. No entanto, todos sabemos que nem sempre as coisas são como deveriam ser, e a insegurança de vermos este assunto tratado por pessoas muito pouco sensíveis às particularidades deste mundo, e mais sensíveis a estereotipos e preconceitos ultrapassados, faz-me temer que nos possamos defrontar com alguns problemas, se este assunto vier a ser discutido rapidamente, mesmo antes de ser criado o tão falado mercado comum europeu.


Assim, aquilo que espero é que rapidamente se institua o mercado comum europeu e que Portugal tenha o bom senso de abraçar este assunto de uma forma inteligente, percebendo as vantagens que poderia aproveitar a vários níveis, sem descurar o que já é socialmente aceite, fazendo as leis do país coincidir com a realidade social.

Venha a regulamentação do poker online… se estivermos num Portugal ideal…

 



Comentários (14) Comentários


6 de Fevereiro de 2012 às 10:46
sopastar Autor verificado disse
concordo..

6 de Fevereiro de 2012 às 11:32
CALLIBAN Autor verificado disse
"No entanto, todos sabemos que nem sempre as coisas são como deveriam ser, e a insegurança de vermos este assunto tratado por pessoas muito pouco sensíveis às particularidades deste mundo, e mais sensíveis a estereotipos e preconceitos ultrapassados, faz-me temer que nos possamos defrontar com alguns problemas, se este assunto vier a ser discutido rapidamente, mesmo antes de ser criado o tão falado mercado comum europeu." - Grandes palavras. Subscrevo, Este é o meu medo...Se existe um tema em que Portugal não deve ir "com muita sede ao pote", esse tema é o poker ;)

6 de Fevereiro de 2012 às 22:01
Lima de Carvalho disse
Muito bem, é bom ler algo com ideias claras, esclarecidas sobre o Poker.Que todos os jogadores percebam que este tema é muita delicado vai ser difícil mas penso que o resultado final vai ser bom, Parabéns pela tema, Bjs.

6 de Fevereiro de 2012 às 22:10
sinedzzt Autor verificado disse
"se tivesse em consideração que não faz sentido tributar os rendimentos do poker sem ser no esquema de mais-valias, em que é considerado não só o que ganhamos mas também o que perdemos ao final de um determinado período."

Quer dizer que também temos de declarar aquilo que perdemos ?


7 de Fevereiro de 2012 às 06:45
sopastar Autor verificado disse
claro que declaras, só te convém.. não são é tributadas as perdes obv.. penso q seja isso

7 de Fevereiro de 2012 às 11:02
Katrina Autor verificado disse
Olá! O controlo fiscal das mais-valias implicaria que no final de um determinado período só fossem tributados os efectivos lucros, ou seja, descontassemos o que gastamos ao que ganhamos.
Lembro que em Espanha, a ideia inicial era que fossem tributadas todas as mãos ganhas, o que seria um disparate tremendo.
Ou seja, preocupa-me que se avancem com ideias disparatadas semelhantes a esta...


7 de Fevereiro de 2012 às 13:33
Pichichi69 Autor verificado disse
Pois podem esperar sentados.
Em Portugal a corrupção está demasiado enraízada para que algum governante tire privilégios aos casinos portugueses.
E regulamentar , basicamente seria dizer que esses senhores não podiam ter o exclusivo da organizaçao de torneios de poker em Portugal.
E a verdade é que o actual governo, numa manobra mesquinha e que apela ao pior dos portugueses enquanto povo, apela ao bufo reprimido que existe dentro de cada português e tipifica o enriquecimento ilícito. A minha pergunta é: se jogar poker em portugal é proibido se não for dentro de um casino, o que vai acontecer a quem obtiver ganhos do poker ilegal?

7 de Fevereiro de 2012 às 13:36
Pichichi69 Autor verificado disse
A tributação dos rendimentos do poker, em minha opinião, deve ser feita de duas formas: percentagem sobre o valor que se transfere para a casa de jogo e percentagem sobre os prémios ganhos

7 de Fevereiro de 2012 às 15:57
Rui Jorge Romão disse
Regulamentar o Poker não é difícil, basta adaptar, na essência, as regras do mercado de capitais. O Poker e a Bolsa são muito parecidos na sua filosofia, no risco e na forma de se ter mais (ou menos) valias.Um investidor pouco informado perderá muito mais facilmente dinheiro do que um jogador mediano.Ficamos à espera, tenho medo é que o regulador não saiba bem o que vai fazer e consiga simultaneamente prejudicar os jogadores e o Estado.

7 de Fevereiro de 2012 às 18:31
Katrina Autor verificado disse
Não te esqueças é que, no caso do poker, seria bem mais fácil "controlar" o quanto ganhamos e o quanto gastamos.. à moda portuguesa seria mais fácil contornar o sistema do que no caso do mercado de capitais. (aqui que ninguém nos ouve ehehehe)

8 de Fevereiro de 2012 às 10:11
Miguel disse
Notícia fresca do dia: a concessão do jogo online vai começar em breve, não sei é se afectará o poker:"Governo espera obter 250 M€ em concessões de jogos online"http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=557469

9 de Fevereiro de 2012 às 12:05
justiceiro Autor verificado disse
Olá catarina.... finalmente encontro alguem por estes foruns que claramente sabe do que fala....
parece-me contudo, que de momento, a ideia apenas passará pelo contrato publico de concessão, ou seja, apenas estará em causa as "casas" on line de poker pagarem para poderem actuar em portugal... como em qualquer concessão (exemplo as auto-estradas) quem paga por esse contrato são as empresas... mas, como é obvio, esse custo às empresas deverá ser imputado por estas aos clientes (no caso do poker através da fee)....
a ideia será para todo o jogo on line e não só o poker....

por outro lado, de facto, a unica possibilidade de jeito para o estado cobrar impostos aos jogadores on line seria através das mais valias... mas eu acrescentaria um limite minimo, ou seja, só quem tem mais valias superiores a um determinado montante é que deveria ter de pagar (proteger os jogadores recreativos)....

mas acima de tudo, a regulação do jogo on line, tratá sem duvida mais transparência e pode até trazer vantagens para quem joga.... basta que o governo (que será quem vai regular ao que me parece e não a A.R.)esteja bem informado acerca desta realidade.. e para isso compete-nos a nós ajudar a esclarecer...

um forte amplexo,

CL

13 de Fevereiro de 2012 às 19:22
Katrina Autor verificado disse
Olá!
Só vi agora o teu post Justiceiro.
Sem dúvida, que as concessões se vão repercutir em nós... O valor que aquela notícia refere, é um valor tão alto que me faz ter a esperança de não estarmos a falar aqui de um monopólio duma casa associada a casinos ou à Santa Casa... Contudo, veremos...
O silêncio de todos os intervenientes nas negociações é ... Devastador

7 de Março de 2012 às 04:14
arienrahc Autor verificado disse
Concordo plenamente contigo Catarina, especialmente com o 4º paragrafo.

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Katrina - Catarina Santos

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Catarina Santos

Catarina Santos tem 28 anos, é natural de Santo Tirso e exerce advocacia. Reside actualmente na Póvoa do Varzim e a par da sua profissão dedica-se a um hobbie, o Poker!

Conhecida no mundo do Poker como Katrina, esta jogadora é patrocinada pela iGame.com .

Catarina conta já com alguns resultados ao vivo, mas o seu grande triunfo chegou com a vitória no Spanish Poker Tour Aranjuez e os respectivos €45.000!


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