Serão os Deep Stacks Bons para Torneios de Poker?

3 de Dezembro de 2010 às 01:48
Comentários 4


Criar estruturas de torneios é a minha paixão e uma das coisas que mais gosto enquanto Director de Torneio. Tenho estado envolvido na criação das melhores estruturas, incluíndo as World Series of Poker, Bay 101 WPT Shooting Star, e LA Poker Classic Main Event 2009. Criei também algumas das piores estruturas para torneios de caridade e torneios para a televisão onde existem restrições de tempo. A minha paixão aproxima-se de uma obsessão pois passo muito mais tempo do que necessário a analisar as minhas estruturas e de outros directores de torneios.
Construir o equilíbrio perfeito
É preciso ter em conta vários factores quando se cria estruturas, incluíndo quando queres jogar (cedo no torneio, níveis intermédios , ou níveis tardios), mesas disponíveis, manter a gerência feliz, a duração do torneio, e até as gorjetas dos dealers. Como director de torneio, estou sempre dividido entre as necessidades da gerência e os desejos dos jogadores, mas sempre estive inclinado para agradar os jogadores. No entanto, o constante pedido de mais fichas deixou-me a pensar se os jogadores sabem realmente o que é uma boa estructura e se os pedidos das massas serão mais importantes do que seguir aquilo em que acredito.
Serão os torneios deep-stack realmente as melhores estruturas?
As grandes questões são (1) quanto queres que um torneio dure, e (2) onde queres jogar- nas fases iniciais, médias, ou finais. Alguns torneios estão a oferecer o dobro, triplo ou até mais fichas, e não tenho a certeza de quando isto irá acabar. Para acomodar as fichas extra, devem ser dobradas as blinds e eliminados níveis que podem ser essenciais para o torneio.
Num torneio deep-stack, tens imenso jogo inicialmente, o que permite a um jogador levar uma bad beat ou cometer um erro. Mas, nas fases médias a chegar ás finais o preço fica mais alto para quem comete erros e a jogabilidade assemelha-se um bocado a lançar dados. Se um torneio com 3.000 fichas iniciais dura entre 16 e 20 horas e um torneio deep-stack com 10,000 fichas iniciais dura o mesmo, faz sentido a estrutura deteriorar as fases médias-finais.
Com tantas fichas iniciais, poucos jogadores são eliminados nos primeiros níveis, portanto a média de stacks diminiu com o aumento das blinds, o que causa um efeito elástico que acaba por rebentar. Então verás que grande parte dos jogadores estará short stacked nas fases médias.
Penso que a jogabilidade deve ser melhor nas fases finais do torneio onde é mais importante. Com torneios deep-stack, devem ser retirados níveis ou o evento durará até de manhã ou precisará de mais um dia para terminar. Quando o Borgata ( líder em torneios deep-stack) triplicou a stack inicial, a mesa final durou menos de 50 mãos e terminou com 100,000-200,000 de blinds e 20,000 de ante. Em contraste, terminamos o Bay 101 em 186 mãos com blind de 10,000-20,000 e 3,000 de ante, e poderia ter durado muito mais não tivesse Brandon Cantu dominado o torneio.
Estranhamente, prefiro jogar em torneios deep-stack, mas considero-me um mau jogador em no-limit e espero chegar a uma fase onde consigo ter sorte e ganhar. Numa estrutura equilibrada, é lógico que se ficar deep, a habilidade terá um papel mais importante. Num recente inquérito que fiz descobri que as principais razões para os jogadores preferirem torneios deep-stack era - "os patos gostam de jogar deep stack e não se importam com o níveis finais"; "donks gostam de ter mais fichas". Ouvi também o argumento que com stacks deep terás a hipótese de recuperar de uma bad beat, e que poderás fazer raises maiores cedo num torneio sem arriscar a tua stack. Os argumentos contra torneios deep-stack incluem "o jogo inicial perde importância", "e tornam-se festivais de "shoves" chegando aos níveis médios-finais" e " mesas finais são lançamentos de dados".
Aqui está a estrutura típica de um torneio deep-stack $300 com níveis de 40 minutos e 10,000 fichas iniciais:
E aqui fica uma estrutura para o evento LA Poker Classic $300 com 3,000 fichas iniciais (níveis de uma hora na final table).
Como podem ver no final do nível 21 num torneio deep stack, estarás a jogar 80.000-160.000 com uma ante de 15.000 e numa estrutura regular deep está em apenas 6.000-12.000 com 2.000 ante. Com um pouco menos de um terço das fichas iniciais, estarás a jogar menos de um décimo do montante da big blind de um torneio deep-stack. Isto mostra que o evento com 3.000 fichas iniciais irá durar muito mais apesar de começar com 120 big blinds, quando comparado com as 200 de um torneio deep-stack.
Torneios deep-stack atraem as massas, o que pode não ser uma coisa má, pois um grupo maior joga mais no início do torneio e serão poucos aqueles que irão experimentar as blinds maiores nas fases finais. Enquanto que manter os jogadores contentes é muito importante para mim como director de torneio, penso que é igualmente importante manter a jogabilidade onde mais interessa.
Fica também mais caro para os casinos o facto de haver mais jogo no início do torneio, e esse custo é passado para os clientes através de comissões de entrada mais altas, retenção de pessoal, ou a última moda - $5 ou $10 por ainda mais fichas.
Enquanto penso que é uma boa estratégia de marketing colocar Deep Stack, Mega Stack, ou Super Stack no título, ainda penso que não é necessário para todos os torneios se tornarem deep-stack. Assim que os jogadores se tornarem mais experientes e educados, irão perceber o truque. A boa notícia é que existem tantos torneios diferentes que os jogadores podem escolher o buy-in, localização e estrutura que preferem.
Matt Savage



Comentários (2) Comentários


3 de Dezembro de 2010 às 12:10
danipx2 Autor verificado disse
Muito bom pensamento.

3 de Dezembro de 2010 às 19:13
zdroviak Autor verificado disse
Excelente raciocínio, subscrevo completamente.

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TD - Matt Savage

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Matt Savage
Matt Savage é um dos mais conceituados Directores de Torneio de Poker. Já dirigiu diversos torneios televisionados bem como as World Series of Poker (2002/2004) e actualmente é o director de torneios no World Poker Tour.
Em 2001, foi um dos co-fundadores do Tournament Directors Association (TDA) que criou o primeiro regulamento standard para torneios de Poker.

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