The Amazing Race
26 de Novembro de 2010 às 17:09
Estava em Las Angeles para participar no NAPT e na noite anterior enquanto planeava guiar de volta para Las Vegas, a minha assistente Patty avisou-me que provavelmente iriamos ter um problema. O meu passaporte expirava a 5 de Dezembro e os meus planos passavam por viajar para Barcelona a 20 de Nov e para o APPT Sydney dia 2 de Dezembro, mas mais do que isso, esta era uma viagem de grupo que já tinha planeado há muito tempo.
O problema é que a Patty cometeu um grande erro. O meu passaporte era suposto ser renovado há algum tempo, mas foi devolvido algumas vezes por um erro qualquer. Uma semana antes de Barcelona, a Patty enviou o meu passaporte junto com um certificado de nascença para os escritórios do Canada na esperança que regressassem dentro de uma semana. Isto é simplesmente impossível! Por correio demora aproximadamente 4 semanas! Ela pensou que esta seria a única hipótese e não se lembrou que poderiamos pedir um passaporte de emergência em 48 horas apresentando prova de vôo!
Neste momento eu estava preocupado em não conseguir chegar a Barcelona e com a minha viagem a Sydney!
A corrida começou às duas de manhã de Sexta Feira na Marina Del Rat, onde eu fiquei durante o NAPT. Dormi uma sesta perto das 21:00 uma vez que queria descansar para fazer a viagem de volta a Las Vegas. Deixei o apartamento perto das 2.30 da manhã e iniciei a viagem a contar que chegava a casa perto das 6:30 da manhã. A primeira peripécia chegou com o facto da estrada I-10 estar fechada. Tinha o GPS comigo e consegui encontrar uma alternativa pela I-15.
Já nesta estrada a visibilidade era quase nula e tive de abrandar e seguir um carro que estava à minha frente mantendo sempre a distância de segurança. Se alguma vez passares nesta estrada tem cuidado, o nevoeiro é muito intenso. Na verdade é algo assustador, pelo que levei algum tempo a passar por ali.
Parei em Barstow para abastecer e reparei que estava de novo bastante cansado. Decidi continuar a guiar mas quando estava a 10 km de Baker, estava REALMENTE cansado. Bati na minha cara para me manter acordado e decidi falar Patua (Jamaica) comigo próprio em voz alta para me manter acordado. Cantei canções estúpidas, tudo o que fosse preciso para estar acordado. Uma das ruas chama-se Yzzyyx e diverti-me bastante a conversar com ela.
Finalmente consegui chegar são e salvo a Baker e encostei perto de uns camiões. Pus-me confortável e dormi uma horita. Por essa altura, o sol já estava forte e acordei um pouco mal disposto e com fome. A esta hora não havia nada aberto, pelo que fui ao WC na bomba, peguei num pacote de batatas fritas e retomei a viagem!
Cheguei a casa perto das 8 da manhã e comecei logo a trabalhar no problema do passaporte. A Patty deu-me alguns números para ligar e como é tudo com o governo, tive de ser eu mesmo a tratar. Foi aí que percebi quão tramado estava. Disseram-me que não tinha qualquer hipótese de ir a Barcelona e que não me conseguiam o passaporte antes de 8 de Dezembro, o que significa que perdia também Sydney. Percebendo que ia perder Barcelona, pedi os meus documentos de volta, porque poderia ainda ir a Sydney, eis que me respondem que já tinham cancelado o meu passaporte e que por muito que enviassem, já não era válido.
Sem passaporte ou certificado de nascença, não tinha nada que provasse que eu era um cidadão do Canadá, pelo que não estava autorizado a viajar para o Canadá. Assim sendo, tinha de voar para uma cidade fronteiriça, como Seattle, alugar um carro, atravessar a fronteira com a minha carta de condução americana e um green card, para chegar ao governo civíl de Vancouver. Mais uma vez, disseram-me que o passaporte não estaria pronto a tempo de Barcelona, embora eu estivesse mais preocupado com Sydney!
Liguei para o posto de segurança da fronteira a perguntar se podia entrar com a carta de condução e green card e a resposta foi afirmativa. O plano era transferir a minha pasta de Toronto para Vancouver e o passaporte ficaria pronto nessa semana. Só tinha de o ir buscar, voar de volta para Las Vegas e viajar para Sydney. Fiquei contente com isso, apesar de querer muito ir a Barcelona.
Estava no MSN com alguns "VIPS" e expliquei-lhes que não poderia ir a Barcelona a não ser que algum deles tivesse uma ideia. Boas notícias, tinham! Um deles tinha um contacto em Toronto que me conseguia o passaporte a tempo de Barcelona! Não acreditei muito no momento e para além disso estava exausto!
A magia aconteceu e precisava de chegar a Vancouver às 16:30, sendo que eram neste momento 10:30 da manhã e o vôo para Vancouver demora duas horas e meia. Eu e a Patty procuramos vôos online mas não havia hipótese de conseguir chegar a tempo com um vôo comercial.
A única opção era conseguir um vôo charter e esperar que os pilotos voassem com um período de aviso tão curto. A maioria dos sítios para onde ligamos disse que não conseguiam contactar os pilotos para um vôo às 13:00, uma vez que precisavam de uma janela de 3 a 4 horas para tal. Eu não poderia partir mais tarde, caso contrário não chegava a tempo a Vancouver e para além disso era sexta-feira, sendo que o posto fecha ao fim de semana.
Finalmente encontramos um avião e pilotos que concordaram em voar. O preço era razoável para um vôo privado, $15.000 ida e se regressasse com eles na mesma noite, cobravam-me apenas $2500 pelo regresso. Estás essencialmente a pagar pelo combustível e isso custa alguns milhares por hora, pelo que aceitei. Esta era a ÚNICA forma de voar para Barcelona e prometi à PokerStars que iria. Pessoalmente também queria rebentar noutro EPT!
Já tinha usado vôos privados, mas este avião não partia de nenhum dos locais a que estou habituado. Eu estava quase no aeroporto e ainda não sabia bem onde era. A Patty estava a tratar do pagamento e a senhora ainda não lhe tinha dado a morada. Fui aos dois aeroportos que conhecia e nada. Finalmente, a Lisa, noiva da Patty, arranjou a morada, uma pequena rua chamada Reno Ave. Um lugar mesmo escondido, mas encontrei-o!
Quando chegamos lá, o piloto estava ao telefone e estava a demorar bastante tempo. Foi-me dito que estavamos prontos para partir, mas ele não parecia nada pronto. Quando desligou o telefone, expliquei que tinha uma hora de chegada precisa e que se não fosse possível cumprir, não valia a pena levantar o vôo sequer. Ele percebeu a mensagem, atestou o avião e depois de enviarem os meus dados por Fax para Vancouver, o avião levantou às 13:15.
Só tinha comigo um saco de vegetais e o meu iPad, no entanto estava bastante cansado e aproveitei para dormir uma sesta. Quando acordei estavamos a aterrar num horário genial, 15:30, o que me dava tempo de chegar ao posto do passaporte! Infelizmente estava a chover e muito trânsito, e o timing de 30 minutos sem trânsito, não poderia ser cumprido.
Continuamos sentados no avião uma vez que para sair necessitava da presença de responsáveis canadianos que ainda não tinham chegado e o piloto não me podia deixar sair.
Aparentemente, fizeram asneira. Segundo a lei não só tem de enviar o meu passaporte por fax como dizer os meus dados verbalmente. como não o fizeram, estavamos a aguardar no avião. Eram 16:00 e percebi que estava condenado.
Felizmente o meu contacto em Toronto tinha contratado um advogado para manter o posto aberto durante mais tempo apenas para mim. Não sabia quanto tempo ainda iria demorar, ainda tentaram que um agente trouxesse os documentos até mim, mas não foi possível.
Em seguida, perdi o meu temperamento: o piloto diz-me que sem passaporte não me pode levar de volta a Las Vegas, o que significava ficar até segunda-feira em Vancouver! Eu adoro Vancouver, mas se soubesse disso nunca tinha tomado esta opção. Trouxe o meu iPad mas ainda não tinha tarifário internacional. Tinha o meu blackberry mas não tinha carregadores. Iria ficar preso num hotel até segunda-feira. Depois de pagar $15.000 para conseguir este vôo, não só não iria ter passaporte como não conseguia voltar a casa. Sem roupa, sem computador, sem escova de dentes. Simplesmente não podia contemplar esta hipótese.
Finalmente, perto das 16:06, os responsáveis canadianos chegam ao avião. Foram bastante simpáticos e depois de lhes explicar o que se passava tentaram ser o mais rápidos possível. Saí do avião às 16:17 e voei para o carro que estava à minha espera.
O tráfico não estava muito mau, mas encontrei o condutor mais lento de sempre, mesmo depois de explicar que estava cheio de pressa. Nunca deixou a faixa da direita e toda a gente passava por nós. Cheguei aos escritórios às 16:53 à espera de bater com o nariz na porta, quando o segurança me diz "Estamos à sua espera!" Não acredito que consegui!
Entrei lá e vi o Ron (advogado) a conversar com a Tracy (passaporte)! Na sua frente estava o meu precioso passaporte! Duas assinatuas depois e estava tudo resolvido! Foi bastante surreal! Agradeci um milhão de vezes aos dois despedi-me e voltei ao aeroporto.
O piloto informou-me que provavelmente tinhamos de parar em Seattle para obter o visto de entrada novamente e eu nem me preocupei! Estava tão aliviado, que um atraso não me fazia diferença!
No final não foi necessário parar em Seattle, recebemos as autorizações em Las Vegas e estava de volta a casa. Adormeci por volta das 22:00 e acordei às 8 da manhã de Sábado.
O meu vôo para Barcelona foi às 20:00 o que me deu tempo para relaxar. Fui de Vegas a Londres e depois Barcelona. Jogo no dia 1B.
Como posso não ganhar um torneio depois isto?
Daniel Negreanu, jogador da Team PokerStars PRO
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